[[legacy_image_274135]] Os moradores da Praça Bernardino de Campos, no Centro de São Vicente, estão em compasso de espera. O motivo é que a Justiça ainda não se manifestou a respeito da ação popular movida contra a Prefeitura, que pretende instalar a nova Rodoviária da Cidade e uma base fixa da Guarda Civil Municipal no local em meados do próximo ano. As justificativas são de prejuízos à rotina da vizinhança, danos ambientais e ao patrimônio histórico da Cidade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Caso a liminar não seja concedida, a ação continua, e acredito que, lá na frente, a gente consiga”, afirma o advogado Rui Elizeu de Matos Pereira, responsável pela ação em nome dos moradores. Em nota à Reportagem, a Prefeitura informou que a licitação transcorre normalmente e não há mudança no projeto. Na semana passada, moradores começaram a pôr faixas em casa, indicando contrariedade à Rodoviária na praça. Na de Maria Apparecida Grillo Elou, que mora há dois anos ali, a lembrança dos dizeres é pela área verde do logradouro. “Defendamos a natureza! Rodoviária em praça, não!”. “Saí de um prédio sem elevador para morar em uma casa térrea, em razão de problemas nos meus joelhos, e agora vem isso. Além da existência de árvores centenárias, a estrutura das casas é antiga, e as ruas são estreitas para comportar uma rodoviária e a circulação dos ônibus”, conta. O comerciante Gilmar Flor mora há 25 anos na Praça Bernardino de Campos, e a residência dele foi construída há mais de 60 — pertence à família da esposa. “Não destrua nossa praça. Rodoviária aqui, não!!”, diz a faixa que pendurou, colocada na janela. “As casas são antigas e não têm garagem. Como vai ficar para parar os carros? E o quarto de algumas dá para a rua. E todo o barulho? Mesmo sendo a sala, também irá atrapalhar”, argumenta Gilmar Flor. Outro lado À Justiça, a Prefeitura de São Vicente apresentou, em 31 de maio, documentos como um Estudo de Impacto de Vizinhança para a construção da Rodoviária. Explicou que a Praça Bernardino de Campos, cuja área já foi desafetada pela Administração Municipal, está em zoneamento permitido para essa atividade. Segundo a Administração, realizaram-se estudos em outros locais, inclusive considerando imóveis particulares por intermédio de parcerias público-privadas, mas houve pontos de impactos urbanístico e financeiro que inviabilizaram o prosseguimento da proposta. “Ressaltamos, também, que não há nenhum bem tombado em nenhuma das esferas (municipal, estadual e federal) fronteiriço ao local proposto para implantação do projeto em questão”, diz, ainda, o documento assinado pelo secretário de Desenvolvimento Urbano e Parcerias Público-Privadas, Alexsandro Ferreira, e remetido à Justiça pela procuradora-geral do Município, Isabella Cardoso Adegas. A Prefeitura explica que não haverá supressão de área verde, “tendo em vista que 40% da área da praça (onde hoje existe o maior número de árvores) será preservada”. As que estiverem no local da obra serão remanejadas para o espaço da praça que será mantido. A Administração também alega que não haverá prejuízos para o trânsito. “O novo terminal será inserido em região próxima ao centro comercial, porém, o trajeto proposto para os ônibus de viagem não adentra no centro comercial, ficando a aproximadamente 200 metros de distância do principal nó de tráfego e realizando um percurso de aproximadamente 600 metros em vias coletoras, logo em seguida acessando vias arteriais, não realizando trajeto em vias locais. (...) O local está próximo às estações de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos, a aproximadamente 550 metros de distância)”, detalha.