[[legacy_image_156721]] A greve anunciada pelos funcionários públicos municipais de São Vicente para a próxima quinta-feira (10) é de origem política, afirma o prefeito Kayo Amado (Podemos). Ele diz que não há motivo para anunciar a paralisação, porque as negociações entre a Prefeitura e os servidores ainda não estavam concluídas e nenhum percentual de reajuste salarial havia sido fechado. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São Vicente (SindServSV) realizou assembleia na noite de quinta-feira (3), quando foi aprovada a greve a partir da zero hora da próxima quinta. A entidade justifica que os servidores esperavam nova contraproposta da Prefeitura, após a rejeição de uma oferta em torno de 1,8%. O objetivo é a reposição de 16%, equivalente à inflação dos últimos dois anos. São cerca de 6 mil funcionários ativos e 2,5mil aposentados. “A greve será analisada no campo da legalidade. Existia uma mesa de negociação, que a meu ver ainda existe, com uma reunião prevista em ata para a semana que vem para que de definisse a proposta final. Greve é um direito legítimo, mas não me pareceu adequado fazer antes da proposta final”, diz o prefeito. Kayo diz que, “do ponto de vista técnico”, não há justificativa para a decisão do sindicato. “Só me resta pensar que podem existir elementos políticos por trás da greve”. Ele garante que discussões para melhorias estão sendo feitas, mas não informou percentuais de reajuste. “A gente tem feito um esforço e apresentamos um pacote de R\$ 20 milhões para os nossos servidores”. O SindServSV, em nota, diz que existe um impasse gerado pelas alegações do governo de que o orçamento chegou ao limite e a constatação do sindicato de que existe margem para melhorar, segundo análise dos relatórios de gestão fiscal. “A proposta verbal de aproximadamente 1,8% foi mencionada por representantes do Governo, mas rejeitada pelo sindicato ainda na mesa de negociação por ser incompatível com as perdas inflacionárias”. A entidade afirma que no dia 23 de fevereiro, as negociações já se demonstravam infrutíferas e redundantes e diante do apelo do Sindicato, a Administração se comprometeu a formalizar, antes do fim do mês de fevereiro, uma nova proposta para que a categoria pudesse avaliar em assembleia, mas isso não aconteceu. “O prefeito precisa assumir sua responsabilidade e agir para resolver a questão do funcionalismo, ao invés de tentar deslegitimar o movimento dos servidores públicos municipais”. Transporte municipalOs motoristas do transporte público de São Vicente seguiam em greve ontem, pelo 4º dia consecutivo. Na noite de quinta-feira (3), a Otrantur, concessionária do transporte coletivo por ônibus em São Vicente, efetuou o pagamento do salário atrasado de fevereiro, mas os benefícios do mesmo período não foram pagos, motivo que fez com que a categoria continuasse em greve. O diretor jurídico do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários de Santos e Região (Sindrod), Valter Gomes da Silva, conhecido como Mineiro, afirmou que a Otrantur prometeu pagar o vale-refeição entre segunda e quarta-feira da semana que vem com a condição que os funcionários ficassem em estado de greve até quarta. Na manhã de ontem, uma assembleia foi realizada na empresa e a categoria recusou a proposta feita pela Otrantur. Os trabalhadores optaram por continuar com a greve, operando com apenas 50% da frota durante o dia e 70% nos horários de pico, cumprindo uma liminar judicial. "A decisão é encerrar a greve quando a empresa terminar de pagar todos os benefícios", disse Mineiro. Não é a primeira paralisação. O serviço foi parcialmente parado em 10 e 19 de janeiro. Em nota, a Otrantur informou que o pagamento dos salários dos funcionários foi feito na quinta-feira, contemplando a totalidade da folha de pagamento da empresa, e que o vale-alimentação e a cesta básica serão acertados em, no máximo, 5 dias. A empresa salientou, ainda, que está fazendo todos os esforços para normalizar a situação do transporte urbano em São Vicente. Rompimento do contratoO prefeito de São Vicente explica que está seguindo os trâmites de notificações e multas à empresa, já que a população está sendo afetada. Para ele, os problemas ocasionados afetam o serviço e podem resultar no rompimento de contrato com a empresa. Kayo Amado ressalta que a Prefeitura faz um aporte mensal de R\$ 400 mil, como subsídio para a empresa, e que espera que situação seja resolvida. “O contrato foi firmado em 2019, uma concessão de 20 anos. Ocorre que desde o início já havia indícios de que a empresa não cumpria o contrato. Temos feito uma série de questionamentos formais à empresa, juntando provas dentro desse contrato para que a gente possa resguardar o direito público. Mas não se resolve do dia para a noite”, diz o prefeito.