Família de idoso reclama de atendimento precário na saúde de São Vicente

Os parentes de José Lauro Ribeiro alegam falta de informações sobre o caso do paciente; A Prefeitura contesta

Por: ATribuna.com.br  -  11/02/24  -  06:59
Atualizado em 11/02/24 - 07:36
José foi internado com fortes dores e dificuldade para urinar
José foi internado com fortes dores e dificuldade para urinar   Foto: Arquivo pessoal

A família de um idoso de 74 anos está em busca de respostas sobre seu estado de saúde e atendimentos médicos. Morador de São Vicente, José Lauro Ribeiro foi diagnosticado com Hiperplasia de próstata (glândula aumentada), em dezembro do ano passado, após lutar desde abril para saber pelo quê estava passando.


A filha de José, Joseli Lima Ribeiro, procurou A Tribuna para denunciar a situação do seu pai que, segundo ela, tem sofrido descaso do município."Meu pai está passando por esse transtorno e sofrendo, e eles estão com descaso".


De acordo com Joseli, o paciente teria começado a apresentar sinais de problemas de saúde em abril do ano passado. Repentinamente, o homem - que era ativo - adoeceu. Entretanto, o diagnóstico demorou alguns meses para chegar.


Quando o diagnóstico veio, em dezembro, por meio de uma médica do Crei, foi informado que José estava com a próstata aumentada. Além disso, ele desenvolveu problemas no coração e nos rins. A família também percebeu que o paciente estava com dificuldades para urinar e defecar, além de sentir fortes dores.


Essa mesma médica o encaminhou com urgência para o Hospital do Vicentino, onde seria internado. Segundo Joseli, foi aí que a situação começou a piorar. No local, foi informado que José precisaria colocar uma sonda para urina. No procedimento, o médico teria forçado a sonda no pênis do idoso e causado uma lesão.

“Sangrou pelo quarto e na roupa, sendo que não era pra ter forçado a parte íntima daquele jeito. Machucaram muito meu pai enquanto eu aguardava (...) o médico viu a burrada que ele tinha feito e mandou levar o meu pai imediatamente para a sala da cirurgia. Lá eles fizeram uma cirurgia, furaram sua barriga para colocar a sonda para passar no canal da uretra pra ele conseguir urinar”, lembra.


A partir daí, José passou a sentir, além das dores causadas pela doença, as dores causadas pelo procedimento. Após isso, o homem ficou 15 dias internado, com sangue saindo de sua urina.


Após os 15 dias, o homem teve alta, mas, de acordo com a filha, nenhum médico prescreveu medicamentos ou instruiu a família sobre a troca de sonda. “Não fomos informados pelo médico responsável que precisava ser trocado a mangueira da barriga e os pontos. O meu pai está há dois meses aguardando um retorno do hospital, pois eles tinham ficado de entrar em contato com a gente e não tivemos sucesso com o retorno”, denuncia.


Outra internação

Mais de um mês após a alta, na quarta-feira, 31 de janeiro, José voltou a sentir fortes dores e, ao levar o homem à uma Unidade Básica de Saúde (UBS), a família foi informada que era preciso trocar a sonda e retirar os pontos. No local, os enfermeiros conseguiram auxiliar a família, mas José precisou ser encaminhado para o Crei para que um médico pudesse examiná-lo e entender o porquê de ele estar com dores e dificuldade para urinar.


No Crei, José foi encaminhado, mais uma vez, ao Hospital Vicentino. Mas, de acordo com a família, ele precisou esperar 12 horas para ser levado de ambulância para o local. “Lá o médico colocou a sonda no lugar e mandou ele para casa. O médico disse que não precisava ficar internado, e que não era caso de urgência”.


Contudo, a filha diz que tinha pedido do urologista para a cirurgia com caso de urgência. “O médico cirurgião deu alta pra ele e fomos pra casa. No dia seguinte, o meu pai acordou com dor e com a fralda toda cheia de sangue”.


Desde então, a família busca respostas para a situação de José, que se encontra em sofrimento. A família ainda quer um encaminhamento para a cirurgia.


Outro lado

Em nota, a Secretaria do Estado de Saúde (SES) informou:


A Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross) informa que o paciente J.L.R. compareceu em consulta na especialidade de urologia para biópsia de próstata em 05/01/2024 no Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de São Vicente. No mesmo dia, ele foi inserido na regulação para avaliação na especialidade de urologia cirúrgica.


O AME São Vicente recebe cotas para agendamento do recurso solicitado na unidade Complexo Hospitalar dos Estivadores, sendo essa a responsável por qualificar sua fila de espera e agendar conforme prioridade.


Já a Prefeitura de São Vicente, por meio da Secretaria da Saúde (Sesau), disse que o paciente José Lauro Ribeiro foi avaliado pela equipe de urologia do Hospital do Vicentino.


Após avaliação, foi realizado procedimento (cistostomia), decorrente do histórico de retenção urinária aguda. Após o procedimento o paciente recebeu alta hospitalar com agendamento de consulta em urologia no Complexo de Especialidades Médicas de São Vicente.


Ao passar no Complexo de Especialidades, constatou-se que o paciente necessitava de cirurgia especializada eletiva. Diante disso, foi encaminhado no dia 05 de janeiro de 2024, para o Ambulatório Médico de Especialidades do Estado (AME) no Município e inserido na Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS), uma vez que o Hospital do Vicentino não possui habilitação do SUS para esse tipo de cirurgia.


A Sesau salienta que em relação às demandas de competência estadual, não tem acesso à fila e nem às ofertas de agendamento.


Com relação ao SAMU, o paciente estava sendo assistido no Pronto Socorro Central e a transferência entre unidades é feita de acordo com a demanda e disponibilidade de ambulância, feita por médico regulador, sem que o paciente ficasse desassistido.


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