[[legacy_image_279920]] Bastante usada pelos jovens, a expressão “guardar esse momento num potinho” não poderia soar mais precisa. Caberia também numa cápsula, a ser guardada por décadas. E quanta coisa cabe em 20 anos? Pois os escoteiros do Grupo Escoteiros do Ar São Vicente, entidade que comemora 50 anos, abriram neste sábado (8) um baú de memórias de 2003. Cartas (para si próprios, amigos e instrutores), medalhas e jornais da época formaram um cenário de máquina do tempo. Uma edição de A Tribuna, de 5 de julho de 2003, um sábado, era a prova de que o tempo avança sem freios. A manchete, por exemplo, falava de mudanças na telefonia celular, como a inclusão de dígitos para ligações interurbanas. Também trazia, na capa, a morte do cantor Barry White e a condenação na Justiça do treinador Vanderlei Luxemburgo por problemas com o Fisco. Para o presidente da Associação Civil Baden Powell, mantenedora do Escoteiros do Ar de São Vicente, Sérgio Ferreira Teijeira, a oportunidade de abrir a cápsula do tempo é motivo de absoluta emoção. [[legacy_image_279921]] “É indescritível poder rever antigos escoteiros, que foram membros juvenis nossos e, hoje, retornam depois de 15, 16 anos. Quando a gente fez essa cápsula, há 20 anos, não tinha ideia se estaria aqui para abri-la”, afirma. Foram pouco mais de 10 minutos para que a base de concreto, que abrigava a cápsula, fosse aberta. Após aplausos, o invólucro metálico que guardava os itens também foi aberto e levado até uma mesa, onde começou a distribuição das cartas. Foi quando a alegria começou a tomar conta do local. É o caso da chefe escoteira Cinthia Miranda Higa. Ela recebeu de volta a carta escrita há 20 anos para seus dois filhos, Alexandre Higa, hoje com 34, e André, com 28. No seu relato de 2003, estava o desejo de que fosse uma boa mãe, que os jovens fossem felizes e realizados, além de desculpas “por eventuais erros”. “Hoje, vejo que deu certo. Os dois são homens bons e fazem o que o escotismo prega: buscam, a cada dia, melhorar o mundo”, frisa. Amigos e parceiros de vidaQuem também se reencontrou com os antigos manuscritos foram os amigos Felipe Romero, de 36 anos, e Carlos Henrique de Oliveira, de 35. O primeiro, que é programador web, trabalha com o segundo, que é designer. As cartas só comprovaram o que a vida escreveu: a cumplicidade fraterna entre eles perdurou. “Engraçado que, na carta, ele fala várias vezes sobre amizade. E ela segue até hoje”, diz Felipe. [[legacy_image_279922]] E quando o amor ao escotismo serve para reforçar um sentimento? O engenheiro químico Roberto de Oliveira Mano, de 44 anos, e a autônoma Marcela Andalafti, de 34 anos, tinham um ano de casados quando a cápsula foi fechada, em 2003. E as cartas escritas por eles revelavam, além dos gostos, a intenção de uma vida a dois. “Ele escreveu na carta que pretendia estar comigo 20 anos depois. E aqui estamos”, diz Marcela. Mano também revela a concretização de um sonho posto no papel: conhecer a França. “Sou um sonhador, e sigo buscando um mundo melhor", resume. Já a bancária Thainara Pereira da Silva, de 29 anos, recebeu uma carta escrita pela mãe. Mas preferiu não abrir na hora. O fechamento da cápsula marcou um ano complicado para ela, por conta da morte do pai. E o evento de sábado (8) reacendeu velhas emoções. “Participei do escotismo entre 6 e 12 anos. É um misto de sensações, um nó na garganta até. Mas estar aqui e reencontrar tanta gente, me deixou muito feliz”, resume.