[[legacy_image_163815]] Faltando dois meses para dar à luz, uma moradora de São Vicente descobriu que a filha Mariana, na verdade, é Júlio. Glaucia Priscila do Nascimento Silva, de 37 anos, já estava com o enxoval da menina pronto quando recebeu a notícia de que o médico errou o sexo no primeiro ultrassom. Agora, ela luta contra o tempo para recomeçar os preparativos para a chegada do bebê. “Fiquei pensando ‘Meu Deus, como vou fazer com esse menino de sete meses se eu não tenho nada para ele?’”. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Em entrevista para A Tribuna, a balconista explica que fez o primeiro ultrassom com 20 semanas de gravidez, em novembro do ano passado. “Foi no primeiro trimestre para ver se o bebê estava se desenvolvendo direitinho. Foi particular e o médico disse para a gente (Glaucia e o marido) que era uma menina”, explica, dizendo que ficou muito feliz com a notícia, pois já é mãe de um garoto de dois anos. No entanto, o profissional não documentou a afirmação. Mesmo assim, Glaucia mandou bordar fraldas com o nome da bebê e ganhou muitos presentes para a filha. “Conforme eu ia ganhando, eu lavava e guardava em sacos para deixar tudo separadinho”. Ela ressalta que o enxoval estava completo e as únicas coisas que faltavam era uma banheira e toalhas de banho. Porém, em meados de março, foi realizar outro ultrassom para saber como o neném estava. “A médica me pediu um outro ultrassom, eu falei que estava sem condições de fazer pelo particular, daí ela pediu pelo SUS (Sistema Único de Saúde), marcou pela policlínica e eu fui fazer. Quando chego lá, tem os órgãos genitais masculinos”. De acordo com a balconista, o médico questionou se ela sabia o sexo e ela respondeu que era uma menina. Neste momento, o profissional afirmou que tratava-se de um menino. “Saí chorando lá de dentro, meu marido ficou desesperado achando que tinha acontecido alguma coisa. No SUS não permitem acompanhante, então a gestante entra sozinha para fazer ultrassom”. “Não é uma menina, não é a Mariana”, foi o que Glaucia disse ao encontrar o marido, que também ficou sem acreditar. “As coisas que eu tinha ganhado estavam novas, eu ganhei duas saídas de maternidade, bolsa, roupa, tudo. Como eu ia fazer, com sete meses de gestação, para começar tudo do zero?”. O casal, então, resolveu investir em um novo ultrassom. Desta vez, particular. O exame, novamente, confirmou o sexo masculino. “Eu fiquei uma semana sem trabalhar porque não saía da cama, olhava para as coisas (enxoval) e chorava. Demorei quase uma semana para escolher o nome do menino: Júlio Kennedy”, enfatiza. Após o susto, Glaucia e o marido buscam se reestruturar. Ela conta que o carrinho e o bebê conforto são unissex, mas ainda precisa de roupas, bolsas e outros utensílios. "Ganhar está difícil e trocar também, estou tentando de todas as formas, já fiz o que eu podia, mas não tenho quase nada. É muito difícil porque eu ganhei as coisas novas, mas tirei as etiquetas para lavar", explica, dizendo que ela tem um filho que cuida sozinha e o marido também paga pensão para filhos de outro casamento, além de alugel, contas e outras dívidas. "Quando aparece alguém querendo trocar uma roupinha ou doar é uma alegria, eu vou buscar na mesma hora", enfatiza Glaucia, que traduz a experiência como "horrível". "Não desejo isso para nenhuma mulher. O médico falar: tal sexo e em uma próxima consulta, depois que tem várias coisas, perceber que já não tem mais nada. Foi muito ruim. Eu quase entrei em depressão se não fosse pelo meu marido que ficou do meu lado. Ele é mais calmo". A previsão é de que Júlio nasça em maio.