Catiapoã, em São Vicente, ainda vai sofrer com cheias

Anunciadas neste ano, obras contra alagamentos nem começaram. Prefeitura admitirá outra empresa, mas burocracia atrapalha

Por: Egle Cisterna & Da Redação &  -  30/11/18  -  09:54
Drenagem dos canais da Bacia do Catiapoã, uma questão crônica, tinha fim previsto para março próximo
Drenagem dos canais da Bacia do Catiapoã, uma questão crônica, tinha fim previsto para março próximo   Foto: Alexsander Ferraz/AT

Os moradores do Catiapoã, em São Vicente, devem continuar sofrendo com alagamentos no período de enchentes. As obras de drenagem prometidas pela Prefeitura no início do ano não saíram do papel. A empresa que ganhou a licitação aberta pelo Município ainda não começou o serviço, e o contrato foi cancelado. Em março, o prefeito Pedro Gouvêa (MDB) anunciou que a empresa Terracom começaria os trabalhos de drenagem e requalificação urbana nos canais da Bacia do Catiapoã, nas avenidas Alcides de Araújo, Penedo e Lourival Moreira do Amaral. A previsão inicial era de que terminariam em março próximo.


“A empresa não conseguiu avançar, chegou a pedir mais tempo. Queriam reprogramar a obra com um valor maior, mas isso era inexequível para a Prefeitura”, diz o secretário de Projetos Especiais, Adão Ribeiro. Ele afirma que a empresa alega que o projeto da obra era apenas o básico. “Mas isso estava previsto na licitação e eles aceitaram. Isso deve ser judicializado”.


A empresa foi notificada várias vezes, a última em setembro, para dar início às obras, e a Prefeitura rescindiu o contrato em outubro. Por causa do calendário eleitoral e de a verba, de R$ 10,2 milhões, sair do Ministério das Cidades, a segunda colocada na licitação, a Tecla Construções, só poderia ser contratada a partir deste mês.


Ribeiro acredita que poderá emitir a ordem de serviço na próxima semana. Mas isso ainda vai depender da troca de Governo Federal, pois o futuro Ministério do Desenvolvimento Regional vai juntar as pastas das Cidades e da Integração. “Nosso convênio vence em 31 de dezembro, e já pedimos prorrogação de um ano. Isso está em tratativas avançadas”.


A Terracom não respondeu a Reportagematé o fechamento desta edição.


Maria Lidia Cainelli teve que suspender os móveis por causa da água que invade a casa
Maria Lidia Cainelli teve que suspender os móveis por causa da água que invade a casa   Foto: Alexsander Ferras/AT

Transtornos


Enquanto isso, o sofrimento dos moradores é frequente. A aposentada Maria Lídia Cainelli, de 70 anos, preocupa-se toda vez que começa a trovejar. “Sempre acho que vai entrar água. Fico muito nervosa com essa possibilidade”, conta.


Ela já levantou toda a casa, pôs comportas na entrada e suspendeu os principais móveis e eletrodomésticos com calços de madeira.


A filha de Maria Lídia, a assistente de Logística Vanessa Cristina de Jesus Cainelli, de 35 anos, teve de comprar uma bota especial para evitar problemas com inundações causadas pela chuva ou pela maré alta.


Sem acessibilidade


A maioria dos moradores decidiu aumentar o piso de suas casas e, consequentemente, levantar as calçadas para dar acesso às moradias. Resultado: passeios completamente desnivelados, com rampas que impedem a circulação de pessoas com mobilidade reduzida.


Por causa disso, Maria Lídia, que tem problemas de visão, deixou de sair de casa. “Não me arrisco nestas calçadas, pois posso cair. Tenho sempre que ter alguém do meu lado até para ir à esquina”, lamenta.


A doméstica Elza Francisca de Lins, de 53 anos, sabe bem o quanto é impossível andar com segurança por ali. Com a filha cadeirante, Bruna Moreira Conceição, de 21 anos, ela sempre tem de trafegar no meio da rua.


“Calçada nunca foi opção por aqui. Mas antes era pior, porque as ruas nem eram asfaltadas. Agora é só desviar dos carros. Não preciso mais fugir da lama”, afirma ela. Mas, quando há alagamento, Bruna tem de ficar dentro de casa.


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