[[legacy_image_337853]] A apresentação de uma banda de Carnaval e de funk deixou rastros de sujeira e destruição neste sábado (24) pelas ruas da Vila São Jorge, em São Vicente, causando revolta dos moradores. Vários procuraram A Tribuna, mas não quiseram se identificar com medo de represálias. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! "É um bairro tranquilo para se morar. Quer dizer, está deixando de ser. Apesar de ser uma vez por ano, mas sempre é a mesma coisa e, neste ano, piorou. Esquecem que moram pessoas idosas e do bem", diz uma das pessoas que residem no local. "Isso acontece há, pelo menos, uns oito anos", emenda. Com atrações ligadas ao samba e ao funk, a Banda do Pombal #Carnafunk2024 começou às 14 horas deste sábado (24) e foi até as 7 horas de domingo (25). No banner de divulgação, constava também a existência de Espaço Kids. O lixo, porém, permaneceu nas ruas Dona Leonor Mendes de Barros e Sinhá Junqueira até as 15 horas. Além do lixo convencional, também havia seringas usadas, pinos de cocaína e preservativos. Manchas de sangue nas paredes, muros urinados e vidros quebrados também faziam parte da triste paisagem. "Para se ter uma ideia, no ano passado, às 5 da manhã, tinha gente fazendo sexo na rua", recorda outra moradora. Um morador relata algo considerado por ele ainda mais grave. "Fecharam totalmente a principal rua de acesso às ambulâncias para o Hospital do Vicentino, a Sinhá Junqueira. Se houve algum acionamento na data de ontem (sábado), até hoje não conseguiram passar de tanta gente e lixo até esta manhã. Como a última quadra da Rua Costa Rego não está acessível, por obras da própria Prefeitura, não tem como chegar ao hospital sem passar pela Sinhá Junqueira". As pessoas contam que não tinha nenhum representante da Prefeitura no local, mas que o evento possuía o aval da Secretaria de Cultura e Esportes e apoio do vereador Felipe Rominha (PP). Os moradores narram que chamaram a Polícia, sem sucesso, por diversas vezes.Também entraram em contato com a Guarda Civil Municipal (GCM), mas a corporação alegou que não viria porque estava somente com duas equipes. "Gostaríamos que alguém tomasse alguma providência", resume outra moradora. Na página do Instagram que divulgou a Banda do Pombal, nenhuma explicação sobre o caso. A Prefeitura de São Vicente foi procurada pela reportagem e informou por meio de nota que o evento tinha licença para realização, e que a Guarda Civil Municipal (GCM) não foi notificada sobre possíveis ocorrências. Entretanto, a administração municipal diz que irá apurar a demanda e, caso haja evidências de irregularidades, a organização poderá ser penalizada. "A banda foi autorizada e pediu apenas a obstrução da via e apoio na segurança. O restante foi arcado pela própria organização. Neste domingo (25), às 14h, o local já estava limpo", informou a nota. Todavia, o município finalizou pedindo a colaboração dos moradores, pois entende que a limpeza dos espaços é de responsabilidade compartilhada, envolvendo poder público e, também, a população. O Vereador Felipe Rominha se posicionou sobre o caso e disse que compareceu no evento cumprindo papel institucional, apoiando culturalmente a comunidade. Entretanto, enquanto lá esteve, ressaltou que correu tudo dentro da normalidade e respeito às convenções sociais. “Se excessos foram cometidos na sequência do acontecimento festivo, as responsabilidades devem ser apuradas e tomadas as providências cabíveis para que fatos como esse não voltem a acontecer”. Problemas recentesEm dezembro do ano passado, A Tribuna relatou problemas semelhantes causados por bailes funk - no caso, clandestinos - em algumas cidades da Baixada Santista - e que provocavam igual revolta por parte de quem reside nos locais. Em São Vicente, nas ruas do Conjunto Habitacional Tancredo Neves, no bairro Cidade Náutica, havia uma multidão em meio a muita música alta e os chamados “paredões” - estruturas que contam com jogo de luzes e caixas de som. Por lá, consumo de drogas e ingestão de bebidas alcoólicas por menores também são constantes. Em Guarujá, moradores reclamaram dos problemas gerados por uma multidão que frequentava a Praia das Astúrias e imediações. Com som alto, os bailes funk organizados no local contou ainda com o barulho de motos sem escapamento, brigas, uso de drogas e prática de sexo em público. Já em Mongaguá, a concentração ocorre na praia Agenor de Campos e os moradores denunciam a falta de efetividade da segurança e do poder público durante os bailes. Um desses moradores afirma que o problema ocorre todos os anos e não há combate efetivo contra a atividade. Por fim, em Itanhaém, a festa, no Natal, teve as ruas do bairro Jardim Oásis tomadas por cerca de quatro mil pessoas. Paredões e música alta foram registradas das 22 horas até as 10 horas de sexta (22) a domingo (25). Furtos, roubos, consumo e venda de drogas, menores ingerindo bebidas alcoólicas e até prostituição estão entre os problemas relatados. Situações que se repetem o ano todo e, em muitas dessas festas clandestinas, os “convites” e anúncios são feitos pelas redes sociais.