[[legacy_image_310902]] Entidade com 108 anos de história, o Santos-São Vicente Golf Club (SSVGC) caminha para sua dissolução. O encerramento das atividades foi aprovado em assembleia pelos 78 associados, mas começou a ser desenhado há anos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O diretor Financeiro do SSVGC, Tabajara Zuniga, afirma que o estopim foi a resolução do então prefeito vicentino Pedro Gouvêa, em 2018, pela qual se cancelou a isenção de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) das associações esportivas. Cobram-se R\$ 4,5 milhões por ano. “Consideraram o clube como um terreno vazio, aplicando uma alíquota de terreno baldio e um valor de metro quadrado de um lote padrão”, explica Tabajara. Depois da avaliação de uma perita, o clube conseguiu baixar a quantia para cerca de R\$ 500 mil. Porém, a agremiação tem R\$ 3 milhões em passivo e prejuízo mensal de R\$ 70 mil. DespesasO SSVGC aguarda a Prefeitura aprovar um projeto habitacional, com aval da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), para a construção de 3,5 mil unidades no terreno. Conforme Zuniga, ela é essencial para viabilizar o acordo de venda do terreno do clube à empresa Studotec Participações S.A.. O valor da transação não foi revelado. À Reportagem, a CDHU responde que a proposta foi recebida e será analisada. “Todo projeto de desenvolvimento urbano tramita em parceria com os municípios e atende às diretrizes e normas locais”, diz nota. “Eu tenho 78 sócios e não consigo manter segurança, RH, luz, água, entre outras despesas. A mensalidade é de R\$ 1,3 mil. Se eu subo o valor, perco (o dinheiro) desses associados, que são proprietários, donos de frações do clube. Por isso, a solução tem sido alienar áreas do clube”, pondera. Advogado a serviço da agremiação, João Fernando Lopes de Carvalho afirma que a obrigação tributária pesou na decisão de continuar ou não com as atividades sociais do clube. “No entanto, não dá prazo para a conclusão da dissolução. Há um grupo do clube coordenando esse processo”, complementa. PrefeituraA secretária de Fazenda de São Vicente, Elisângela Domingues, afirma que “a atual gestão estuda formas de subsídios (aos clubes). Porém, os critérios ainda não foram estabelecidos. A prioridade é buscar formas que estimulem a sustentabilidade financeira de tais instituições, pois entendemos que são importantes fontes de fomento à cultura e lazer da população”. Segundo ela, “não há nenhuma diferenciação do cálculo dos clubes com o de outros imóveis”: somam se os valores venais de terreno e construção, multiplicados por uma alíquota, “respeitando as limitações de cobrança de imposto de acordo com as leis vigentes”. A Administração menciona que a Lei Complementar 166, de 1997, havia assegurado isenção de IPTU a agremiações desportivas que cedessem vagas à Prefeitura em cursos regulares em suas dependências. Em 29 de setembro de 2017, pela Lei Complementar 868, esse dispositivo foi revogado, e o IPTU passou a ser cobrado regularmente para todas as agremiações. O lançamento do Imposto Predial para entidades esportivas para este ano foi de aproximadamente R\$ 2,2 milhões, ainda de acordo com a Prefeitura.