[[legacy_image_298467]] Aos 18 anos, o jovem autista Arthur Barros, morador de São Vicente, tem oito livros publicados. Entre eles, obras que retratam a vivência de uma pessoa que tem Transtorno de Espectro Autista (TEA). Mas a história do escritor começou quando ele tinha 11 anos, e publicou o seu primeiro livro, chamado ‘A Dona Corujinha’. De lá para cá, outras obras surgiram, como: ‘Autismo em Cordel’, ‘Canguru Elétrico’ e ‘O que é Capitalismo?’. “Eu sempre tentei fazer histórias, mesmo quando eu era bem pequenininho, com uns três anos, só que a minha família não entendia e eu não conseguia falar”, conta o autor, que, por muito tempo, se sentiu incompreendido. Ao lado de seus pais, Adriana Barros, de 55 anos e Júnior Barros, de 51 anos, o jovem, que tem de nível de autismo 2 (moderado), cresceu em São Paulo, mas mudou recentemente para São Vicente, em busca de uma melhor qualidade de vida. A mãe explica que veio para a Baixada Santista para trabalhar a autonomia e independência do filho, além de acreditar que aqui há muitos profissionais qualificados para acompanhá-lo. As palavras e desenhos se tornaram grandes aliadas na infância e adolescência do rapaz. “O primeiro livro dele foi para falar que as pessoas com autismo também sabem fazer as coisas”, conta a mãe Superação e conscientizaçãoUm dos livros de Arthur chama-se ‘Leãozinho Faminto’ e é inspirado em situações de bullying e preconceito que ele enfrentou. “As pessoas com deficiência já sofreram demais, e isso tem que parar”, ele explica. A princípio, a obra mostrava um leão revoltado, mas depois de conversar com os pais, ele escreveu sobre um leãozinho bom. “Ele queria ser o rei dos animais, mas ele aprendeu a ser o rei da amizade” Arthur também acredita que tudo pode acabar bem e que a pessoa responsável pelo bullying pediu perdão. [[legacy_image_298468]] Livraria inclusivaA mãe do rapaz diz que sempre foi apaixonada por literatura, e isso fez com que ela apresentasse o universo das palavras ao filho quando ele ainda era um bebê. E que ter um filho escritor foi um presente. Mas a ideia de publicar um livro se tornou algo maior. Após encontrar dificuldades para a publicação, ela e o marido decidiram abrir uma editora de livros, chamada ‘A Barros’. Adriana é editora, Júnior design e Arthur o ilustrador - e best seller. Juntos eles já publicaram dezenas de livros, enviados para todo o Brasil e exterior. A maioria de seus autores são pessoas com deficiência. “Eu sempre amei livros e meu esposo design. Nós tivemos um filho escritor e isso foi uma surpresa”, conta a editora. Após ouvirem que ‘não sabiam que autista sabia ler ou publicar um livro’, a família percebeu que deveria multiplicar toda a informação que tinham. Eles também formaram um projeto social chamado ‘Esperança de Um Mundo Mais Inclusivo’. “Nós percebemos que os livros eram a porta de entrada para que nós pudéssemos falar sobre essas coisas. A informação era necessária”, explica a mulher. InspiraçãoArthur é o recordista brasileiro: o mais jovem autor autista e Membro de Honra da Academia de Letras, Artes e Cultura do Brasil. Além disso, ele também é palestrante. O autor já ganhou uma versão de uma de suas obras traduzidas ao inglês, e tem viajado bastante para falar dos seus livros. Em São Vicente, no dia 9 deste mês, ele fez um lançamento especial de ‘A Dona Corujinha’, no Instituto Histórico e Geográfico da cidade. [[legacy_image_298469]] Ao lado dos pais eles falam das vivências e dificuldades do autismo, inspirando muitas pessoas por onde passam. Júnior, por exemplo, enfatiza que sempre retrata sobre o pai de autista, uma vez que o índice de abandono paternal em casos de deficiência é alarmante no Brasil. “Quando o Arthur está presente em vendas de livros, ele é o recordista”, conta o pai, cheio de orgulho. Para quê?Ao lembrar da jornada com Arthur, Adriana conta que ele sempre foi uma criança esperta e que aos nove meses de idade já falava algumas palavras. Seu desenvolvimento foi rápido, e ele era muito inteligente e se destacava na escola. Ela só não sabia que o desenvolvimento precoce do filho, era um sinal do TEA. Então, ela viu o pequeno menino ‘superdotado’, mudar completamente. Entre os dois e três anos, seu desempenho na escolinha caiu e aos três anos ele parou de falar. Foi quando começou o processo de investigação para entender o que estava acontecendo. Foi durante o processo de investigação do TEA, entre os três e cinco anos, quando ele não se comunicava de forma verbal, que Arthur começou o seu caminho com a literatura e a ilustração. Entre as dificuldades enfrentadas com o diagnóstico do TEA, a família foi incentivada a buscar um ‘para quê’. E para eles, a resposta está em todas as pessoas alcançadas por meio da literatura inclusiva, que foi impulsionada por Arthur. “Eu confio tanto que as pessoas são capazes e ninguém tira isso de mim, porque meu filho já foi mudo, hoje ele é palestrante”, conta a mãe. RampasA mãe diz que vivemos em uma sociedade feita para duas pernas, dois olhos, falas e escutas. “Eu sempre falo que se tivéssemos desenvolvido um olhar para todos, talvez a gente não conhecesse os degraus das escadas. Porque as rampas atendem todo mundo, não apenas os deficientes”, conta. E com a nova jornada na Baixada Santista, a família tem muitas expectativas de viver algo novo e ajudar outras famílias que enfrentam dificuldades como a deles.