[[legacy_image_327917]] O Lar Vicentino Assistência à Velhice, instituição com quase 74 anos de existência, anunciou o fim de suas atividades até meados de março de 2024. Em nota oficial, a entidade alegou problemas financeiros que se agravaram com a pandemia, como justificativa para seu fechamento. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “A instituição esgotou todas as suas possibilidades de conseguir estabelecer o reequilíbrio econômico-financeiro”, diz o comunicado. Em uma carta obtida pela reportagem de A Tribuna, assinada pelo presidente do Lar Vicentino, Francisco Silva Corrêa e datada do último dia 15, a instituição afirma que o número de doações caiu drasticamente e, mesmo com o fim do período de isolamento social, não foi possível recuperar os valores necessários. De acordo com o documento, os débitos do Lar Vicentino chegam a R\$ 863.897,24. Ainda segundo a carta, foram feitas “várias tentativas de negociação junto aos órgãos públicos no sentido de retornar valores devidos de administrações anteriores”, mas sem sucesso. A instituição alega que os repasses da Prefeitura de São Vicente foram reduzidos na atual gestão, porém não detalhou de quanto foi essa diminuição. Além disso, o Lar Vicentino diz que “não ocorreram reajustes nos últimos anos, diferente do que ocorreu em outras gestões do Executivo, em que os repasses eram maiores e atualizados”, o que, conforme a entidade, garantia a continuação de seus serviços sem depender de contribuições individuais dos doadores. Com o fechamento decidido, o Lar Vicentino afirma que os atendidos pela instituição deverão ser retirados por seus responsáveis em até 40 dias. Segundo apurado pela reportagem de A Tribuna, o lar abriga entre 30 e 40 idosos. Em seu comunicado oficial, a entidade esclarece que residentes em situação de vulnerabilidade, que residem no lar por meio do programa de vagas sociais, serão encaminhados pela Prefeitura de São Vicente para as demais instituições de longa permanência para idosos (ILPIs) credenciadas na rede municipal. As famílias dos residentes particulares - que pagam mensalidade -, por sua vez, foram convocadas e avisadas sobre o fechamento da instituição. Ao final do comunicado, o Lar Vicentino agradeceu a todos os idosos, colaboradores, patrocinadores e voluntários que contribuíram com a instituição. A Tribuna entrou em contato com a entidade, mas o presidente não quis conceder entrevista. Posicionamento A Prefeitura de São Vicente, em nota, disse que fez reunião com os membros do Lar Vicentino nesta quinta-feira (18) para ter esclarecimentos sobre a atual situação da instituição. “A dívida original envolve parcelas não repassadas à entidade nos exercícios de 2015 e 2016, totalizando o valor de R\$ 744.999,90, conforme decisão proferida em 30 de novembro de 2022, pela Vara da Fazenda de São Vicente”. Ainda segundo a Administração Municipal, o processo de execução dos valores citados encontra-se arquivado desde 7 de junho de 2023 “por falta de movimentação processual da própria entidade, que, no processo, é representada por advogado particular. Em nenhum momento, a Secretaria da Fazenda recebeu solicitação do Lar Vicentino para parcelar o total da dívida. Durante a reunião do dia 18 de janeiro, os representantes da entidade informaram que possuem interesse no parcelamento desse montante apenas para quitação de verbas trabalhistas de eventuais rescisões”. A Prefeitura acrescentou que, segundo informações do presidente do Lar Vicentino, já foi definido pelos diretores que a venda do imóvel e do terreno será realizada. “Inclusive, eles já firmaram contrato com o comprador, cujo documento prevê cláusula com prazo para desocupação do imóvel. Sendo assim, os familiares já foram devidamente notificados e o prazo não poderá ser prorrogado”, aponta a nota. A Administração Municipal também ressaltou que “todos os repasses ao Lar Vicentino durante a atual gestão foram feitos e estão em dia, não sendo verdadeira a informação de que estamos com valores em aberto. É importante ressaltar que o Lar Vicentino não é uma entidade 100% filantrópica. Ela atende uma parte de seus moradores por convênio com a Prefeitura e a outra, de forma particular”. A Prefeitura enfatizou que dará suporte a todos os acolhidos, observando a legislação vigente.