[[legacy_image_224020]] A cerca de 350 metros de um dos pontos que, tradicionalmente, mais atraem turistas para São Vicente — a Biquinha, na orla do Gonzaguinha —, está outro local histórico da Cidade: o Mercado Municipal. Entretanto, este só tem atraído mosquitos e desgosto para quem mora ou passeia ali por perto. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O espaço, que foi inaugurado em 1929, funcionava em um prédio histórico construído em 1729 e que abrigou a primeira sede da Câmara Municipal. Lá também se instalaram a cadeia e o quartel de polícia, mas em 1915 o espaço ficou vazio. Com o desenvolvimento da Cidade, se tornou mercado e, em 2010, teve sua fachada tombada como patrimônio histórico pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico, Cultural e Turístico de São Vicente. Mas o que se vê ali é um lugar abandonado, com mato crescendo por dentro e placas antigas. Até equipamentos, possivelmente de antigos comerciantes, estão largados lá dentro. No mês passado, a TV Tribuna mostrou que, mesmo sem uso, o espaço nem sequer estava interditado. Pela porta, apenas uma barra de ferro era usada para impedir a entrada, mas qualquer um poderia ingressar. Ontem, a Reportagem esteve lá, e uma porta de alumínio foi instalada para evitar o acesso ao prédio. O edifício fica numa área de grande movimento, muito próxima às lojas e comércios do Centro, ao lado da Igreja Matriz e a poucos passos da praia. Na Biquinha, aliás, abrigam-se comerciantes, principalmente artesãos e os do ramo gastronômico. Quem passa pelo local diariamente se espanta com a situação do antigo prédio do mercado. “Várias vezes já fizeram essa tentativa de colocar comerciantes lá dentro. Aí não dá certo, eles gastam dinheiro e fecham. Eles poderiam investir em uma programação cultural”, analisa a autônoma Cristina Silva, de 50 anos. O prédio do mercado já recebeu instalações provisórias, como a Rodoviária da Cidade. “Aquelas barracas de docinhos na Biquinha estão horríveis. Em vez de eles estarem ali passando dificuldades, poderiam trazer para cá”, diz a servidora aposentada Lourdes Pinto de Oliveira, de 58 anos. [[legacy_image_224021]] Cultura e artesanatoCristina diz que, além de criticar, é preciso dar ideias. “Poderia acrescentar uma feira hippie em São Vicente, porque não tem um local para os artesãos e os artistas da Cidade exporem seus trabalhos. Nós temos tantos artistas talentosos aqui”, diz. Ela menciona que os artesãos da Praça do Correio, que expunham aos fins de semana, não estão conseguindo mais apresentar seus trabalhos. E, enquanto isso, um espaço grande está fechado. “Os artesãos não têm onde se reunir. Tentaram colocar aqui (na Biquinha), mas não tem estrutura. Poderiam usar esse espaço do Mercado Municipal, trazê-los para cá, assim como aqueles que trabalham com gastronomia”, sugere. PromessaEm novembro de 2020, o prefeito Kayo Amado (Pode), então candidato, apresentou um projeto de reforma do Mercado Municipal. Previa usar o local para atendimento a turistas, espaço museológico, de coworking (espaço de trabalho compartilhado), restaurante-escola, cafeteria e lojas de artesanato. Procurada pela Reportagem, a Prefeitura de São Vicente informou que a empresa contratada "teve ordem de serviços emitida ainda na gestão anterior e apresentou alguns problemas de ordem técnica".A Administração Municipal ainda afirmou que, por conta disso, o contrato foi cancelado e será feita uma nova licitação. "A previsão de retomada da obra será após todo o trâmite licitatório, com previsão para o início de 2023".