[[legacy_image_290856]] Valdomiro dos Suspiros, é assim que ele é conhecido pelas redondezas da estação do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) Mascarenhas (Avenida Martins Fontes, a Linha Amarela), no Catiapoã, em São Vicente, onde vende suspiros no semáforo há cerca de 15 anos. Como funcionam as vendas? Ele distribui os doces para os motoristas degustarem, se eles gostarem, compram e levam para casa. Morador da Vila Margarida, também em São Vicente, Valdomiro da Silva, tem 62 anos e trabalha como porteiro. Ele iniciou a venda de suspiros para complementar a renda familiar. “Eu trabalho (fixo) à noite, pela manhã descanso e na parte da tarde venho para cá”, conta. "São muitas responsabilidades e despesas". Valdomiro teve a ideia ao ver outro ambulante vendendo suspiros na mesma avenida. Então, perguntou para o homem se poderia vender também. O ambulante aceitou, desde que ele vendesse em outro semáforo, próximo à Rodovia dos Imigrantes. O doce era fornecido por um casal e eles trabalhavam como ‘revendedores’. Após um tempo, o ambulante mudou de cidade e Valdomiro assumiu o ponto, entre um posto de gasolina e uma padaria, em frente à estação Mascarenhas. Não saiu mais. A venda do doce no semáforo foi muito importante durante um momento difícil de sua família: quando sua esposa enfrentou um câncer de mama. De acordo com ele, o dinheiro que entrava ajudava a custear o tratamento. “O suspiro ajudou bastante, por isso que eu não paro”. [[legacy_image_290857]] Do sertãoValdomiro nasceu no sertão da Bahia, mas foi aos 7 anos que veio para São Vicente. “Por causa da seca e das oportunidades de trabalho que têm aqui. Para melhorar de vida”, relembra. Valdomiro ainda lembra que seu pai veio antes e mandava dinheiro para que ele, seus cinco irmãos e sua mãe pudessem se sustentar. Em São Vicente, ele cresceu, estudou, se formou e construiu sua família. Na Cidade, chegou a se candidatar a vereador em 2016, após muitos incentivos da população. “Mas só tive 128 votos, contando com o meu”, diz, se divertindo. [[legacy_image_290858]] Nas ruasE trabalhando nas ruas, o homem do suspiro diz presenciar acidentes, cenas engraçadas e até mesmo aconselhar alguns clientes que parecem estar perdidos. “Uma mulher, uma vez passou chorando e disse que o marido a tinha largado. E eu conversei com ela, dizendo para ela conversar com ele e que se não desse certo, ela deveria seguir o seu caminho”. Com uma plaquinha de Pix, ele diz que vai na confiança. “Já aconteceu de eu levar um golpe, mas normalmente o pessoal paga”, conta. Ele também afirma que, em 15 anos, as pessoas já o conhecem e sempre o tratam com respeito Ele reforça que gosta de vender os doces no semáforo. “Olha, é bom. Se não fosse, eu já tinha parado”, brinca. Apesar de não ir todos os dias ao local, ele conta que há dias em que as vendas variam de 30 a 40 pacotinhos, de 80 gramas, a R\$ 5,00 cada. “Eu vendo de raspas de limão, tradicional e às vezes, até de maracujá”. Ele conclui dizendo que a venda nas ruas é baseada na união, que os outros ambulantes se ajudam, e que outros vendedores de suspiro respeitam e que cada um fica em um ponto diferente. “Aqui aparecem vendedores de pipoca, paçoca, limpador de para-brisa”. ClientesDurante a reportagem, alguns clientes abordaram Valdomiro para comprar o doce tão elogiado. Um deles foi o motorista de aplicativo Maurício Biancardi, que mora em Cubatão, mas diz que todas as vezes que passa pelo local garante seu pacote. “Se eu passar aqui, eu compro”, afirma. [[legacy_image_290859]]