[[legacy_image_123798]] O calçadão da praia do Gonzaguinha, em São Vicente, foi contagiado pelos pelo branco das roupas, da paz, do respeito pela fé. A 3ª edição da Festa do Dia da Umbanda, na Praça Tom Jobim, nesta segunda-feira (15), reuniu quem segue a religião, mas também outros grupos que foram aplaudir mais um grito contra a intolerância religiosa. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “O objetivo é incentivar uma igualdade religiosa e divulgar a cultura do povo da umbanda. Nos últimos três anos, a situação ficou mais difícil, é muita discriminação”, diz a presidente da Associação Filhos de Aruanda e organizadora do evento, Benedita Aparecida Marquete, de 60 anos A festa, que faz parte do calendário oficial de eventos da Cidade, foi das 12 às 18 horas. “Esse evento é para mostrar às pessoas que macumba é um instrumento musical e uma árvore. Que nós somos paz, amor e união. E sempre fazem com que a umbanda tenha uma caraterística do mal”, explica Benedita. [[legacy_image_123804]] Os batuques, que uniram mais de 700 pessoas de toda a Baixada Santista e até de outras regiões, também representam a volta dos encontros entre os umbandistas, depois do fechamento provisório dos terreiros por causa da pandemia. “Não tivemos nenhum tipo de evento ano passado, estamos retornando com todos os cuidados por causa da pandemia. Nosso objetivo, agora, é que a Prefeitura instale na Praia do Itararé a estátua de Iemanjá que foi doada ao Município”, ressalta a presidente da associação. DiversidadeOs ciganos foram à festa demonstrar apoio à diversidade de credos. “Cigano não é religião, mas, as religiões umbanda e candomblé cultuam o povo cigano dentro dos seus ritos. Então a gente vem contribuir contra a intolerância, é um dia de harmonia”, afirma a cigana Mary Ellen de Jesus, a Mary Dandara, de 44 anos, coordenadora da Tienda Kumpania Romai, de Santos. Para o babalorixá Pai Marcelo de Logunedé, coordenador da procissão de Iemanjá de Santos, o Dia da Umbanda é a forma de mostrar toda a história da religião. “A festa é da umbanda, mas traz como irmãs outras etnias, não só de vertente afro. Umbanda é a união das bandas”. Casal de argentinosO casal de argentinos Cecilia Romina Lalli e Ezequiel Gaspar Rojas está morando há dois meses em São Vicente com os filhos Juan, de um ano, e Mateo, de oito. A família é da religião umbanda e foi ao evento. Cecilia explica que, na Argentina, não há tanta abertura para a religião e eles sofriam muito preconceito, escondendo até mesmo da família. “Meu marido é babalorixá, estamos muito alegres e emocionados. Na Argentina é impossível esse evento. Nós fomos embora de lá não só por causa da economia, mas porque aqui vocês são mais livres. Para fazer algum assim lá, precisa se esconder para não sofrer violência. Respeito à diversidade cultural e religiosa é muito bom”, diz Cecilia. HistóriaO Dia Nacional da Umbanda foi celebrado nesta segunda porque em 15 de novembro de 1908 a religião foi oficialmente fundada pelo médium Zélio Fernandino de Moraes. Ou seja, são 113 anos de história. Na época da fundação, Zélio tinha 17 anos e estava se preparando para ingressar na Marinha do Brasil. Ele havia sofrido uma paralisia que nenhum médico conseguia curar. O médium incorporou o espírito denominado Caboclo das Sete Encruzilhadas, que anunciou a criação da Umbanda, uma religião 100% brasileira. A primeira tenda umbandista criada foi a Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade. Ela foi fundada no dia 16 de novembro de 1908 em Neves, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Em 1918, por ordem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, Zélio fundou outras sete tendas.