A catástrofe teria destruído o local (Imagem Ilustrativa / Freepik) A primeira cidade do litoral de São Paulo, São Vicente, já presenciou um ‘tsunami’, no qual uma onda gigante teria arrastado a Igreja Matriz, o Pelourinho e destruído o porto da cidade, em 1541. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O ocorrido foi descrito por Frei Gaspar da Madre de Deus em sua obra Memórias para História da Capitania de São Vicente, que relata sobre a grande ressaca. A vila teve sua estrutura danificada e sua reconstrução não foi imediata. Há relatos e especulações de que o porto, que funcionava como fonte de economia da região, teria sido transferido para o norte da ilha devido ao 'tsunami'. No entanto, também há historiadores que acreditam que a mudança ocorreu porque a vila era habitada por uma população clandestina, composta por traficantes de escravos e índios. Por isso, havia o entendimento coletivo de que havia outro local mais adequado para estabelecer o porto. Primeiro Trapiche Alfandegário da história do Brasil foi no litoral de São Paulo Localizado próximo à Ponte Pênsil, na área continental de São Vicente, Porto das Naus, como é conhecido, são, na verdade, ruínas de um engenho de açúcar quinhentista, possivelmente construído sobre os alicerces desse porto. O Porto das Naus foi o primeiro trapiche alfandegário do Brasil. Trapiche é um local onde se armazena mercadorias para importação ou exportação. Estabelecido oficialmente por Martim Afonso de Sousa em 1532, mas já utilizado antes, desde 1510, por João Ramalho, Antônio Rodrigues e o Bacharel de Cananeia como estaleiro e ponto de apoio. No final da década de 1540, o porto perdeu importância devido ao assoreamento da baía de São Vicente e à ascensão do Porto de Santos. Em 1580, Jerônimo Leitão construiu um trapiche, uma capela e uma casa de purgar no local, mas essas instalações foram destruídas em 1615 durante o ataque de Joris van Spilbergen, segundo o Projeto de Valorização Patrimonial do Monumento Nacional da Universidade de São Paulo (USP). Em 1977, o Governo Estadual tombou as ruínas do Porto das Naus, prometendo sua recuperação para preservar a memória do período colonial. No entanto, as promessas nunca foram cumpridas, e o local continuou a se deteriorar. A partir de 2010, com as escavações arqueológicas do Centro Regional de Pesquisas Arqueológicas (Cerpa), foi possível identificar o local como o engenho de açúcar de Jerônimo Leitão, com a descoberta de mais de 400 fragmentos de utensílios do engenho, como formas de açúcar e tanques para melado. Embora haja especulações de que o Porto das Naus tenha sido tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o registro oficial inclui apenas os remanescentes da antiga Vila Colonial, como a Igreja Matriz, sem especificar o tombamento do Porto das Naus.