A onda gigante teria destruído parte da região de São Vicente em 1600 (Imagem ilustrativa / Pixabay) Uma antiga lenda conta que, por volta de 1600, uma amurada foi construída em São Vicente, no litoral de São Paulo, com o objetivo de proteger a região contra piratas e invasores. No entanto, a estrutura teria sido destruída por um tsunami. A forte onda também teria modificado a geografia local. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Baía de São Vicente, onde atualmente está localizada a Biquinha, se estende até o outro lado, na direção da Praia das Vacas. Ali, forma-se uma grande lagoa vinda do mar, uma das saídas do estuário que contorna a Ilha de São Vicente — ilha que abriga duas cidades: Santos e São Vicente, conforme explica o pesquisador Diniz Iozzi, mais conhecido como Pardhal. Pela encosta da ilha e passando pela Ponte Pênsil, chega-se ao bairro do Japuí, onde está uma das construções mais antigas da região. Hoje, restam poucos vestígios visíveis, mas o local guarda uma história importante: era onde vivia uma mulher indígena, Bartira, casada com um português, João Ramalho, relação que permitiu uma convivência pacífica entre os povos originários e os europeus. “Foi possível estabelecer uma paz entre os nativos e os europeus sem guerra, na paz. Porque em outras regiões, por outras tribos, eram hostilizados esses portugueses e ali eles conseguiram através desse português, já morando com uma nativa, estabelecer convivência com os nativos daquela região. Assim, podiam explorar as coisas da terra e estabelecer o reino”, comenta. A cidade foi oficialmente fundada em 1532, tornando-se a Vila de São Vicente. Segundo a lenda, por volta de 1600, o povoado já demonstrava sinais de crescimento e riqueza, o que passou a atrair a atenção de piratas estrangeiros, que, de acordo com Pardhal, provavelmente eram ingleses ou de outras nacionalidades europeias. Para proteger o povoado das invasões pelo mar, foi construída uma formação amurada, partindo da Praia das Vacas. Essa estrutura estratégica visava impedir que os navios inimigos atracassem diretamente na vila, obrigando-os a se aproximar pela encosta da chamada Porta do Sol. No mesmo ano, o tsunami veio a acontecer. “Ocorreu um grande tsunami e essa amurada foi destruída, a cidade ficou também (destruída), mudou toda geografia dessa localidade. Então, ali ficou com esse grande lago que nós temos até hoje”, detalha. Pardhal ainda destaca que a antiga vila já estava submersa, o que levou os moradores a reconstruí-la próximo ao canto do morro, onde hoje fica a Biquinha. “Com isso, essa bancada no meio do mar destruída deu origem a esse banco de areia no meio do rio, no meio de uma vazão de um grande estuário, que seria a Porta do Sol, ali se sai para o mar e foi onde começou a quebrar a onda. Antes, não havia ondas na área, passou a haver após esse grande tsunami, que deixou pedras lá no meio do mar, as quais viraram grandes bancos de areia”, finaliza.