[[legacy_image_211110]] Com a recriação da Secretaria de Cultura de São Vicente, o setor cultural aguarda novos investimentos no setor em uma corrida para superar o tempo perdido. Representantes do segmento, que lutaram pela reativação da pasta, têm uma extensa pauta de reivindicações no Município. O aumento do orçamento, a formação de novos agentes culturais, o diálogo aberto com a Prefeitura e a necessidade de nomeação e posse do conselho de políticas públicas para o setor estão na lista de pleitos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Até semana passada, as atividades culturais estavam ligadas à antiga Secretaria de Cultura, Esportes e Cidadania. Esta foi a realidade durante mais de 10 meses e profissionais envolvidos no segmento apontam que, neste período, houve uma janela de “pouca ou quase nenhuma ação” no setor. “A gente pode contar nos dedos os eventos que a Prefeitura produziu nesse tempo de junção das secretarias. A cultura foi extinta no planejamento e nas ações do governo. A recriação nos parece mais um ato político, de cumprir acordos nessa época eleitoral, do que arrependimento da gestão ou algo assim. Na realidade, não estamos felizes porque a secretaria vai continuar praticamente inexistente dentro de ações do município. Não quer dizer muita coisa retomar”, afirmou a artista e educadora musical, Lua Marina Juns Topp. A baixa expectativa, segundo ela, tem a ver com recorrentes cortes no orçamento da pasta ao longo de diversas gestões. Em contrapartida, a cultura é um tema transversal, e as políticas públicas do setor implicam em diversas outras secretarias, como Turismo, Saúde, Educação, Segurança Pública e Esporte. “Orçamento é uma coisa muito importante porque a gente sabe que é isso que vai impactar nas ações. Mas, uma coisa que, na minha opinião, é a mais importante é o investimento em formação cultural. Isso gera uma atuação da cultura dentro dos territórios da cidade. Ou seja, se a gente tem artistas, produtores, técnicos, trabalhadores da cultura desenvolvendo cultura dentro dos territórios, a gente tem um ganho para a população não só na transformação cultural, como também na transformação da cidade”, afirmou Lua Marina. ArticulaçãoA atriz, diretora de teatro e produtora cultural Mirian Vieira também aponta o esvaziamento da cultura em São Vicente. Agora, com a recriação da pasta, ela espera que haja mais diálogo entre os artistas da cidade e a Administração Municipal. “Foi muita luta do movimento cultural para que esse retorno da Secretaria de Cultura acontecesse. O que faltou desde o início foi dialogo da gestão com os trabalhadores e trabalhadoras, a sociedade civil e os movimentos. Desde o começo nós alertamos que não era correto, que não ia poder fazer dessa forma e que simplesmente se não pode extinguir uma Secretaria conforme gestão acha que tem que ser. Nesses 10 meses, a secretaria muito pouco ou quase nada fez sobre políticas públicas reais para toda a cidade”, afirmou. Segundo ela, agora, o movimento cultural aguarda a retomada do CPF Cultural, que significa Conselho, Plano e Fundo de políticas públicas para o setor. Com isso, também é esperada uma abertura para discussões com os envolvidos na cena artística do município. “A primeira coisa é a posse do Conselho Municipal de Cultura. Foi eleita a composição da sociedade e precisa ser nomeada a gestão. A partir daí, a gente precisa tomar posse e discutir questões de políticas públicas para São Vicente. Isso não é bandeira, é uma necessidade da cidade”, destacou Mirian.