A queda na taxa, de 14,13 para 6,44 a cada mil nascidos vivos, é atribuída à melhora da atenção básica (Prefeitura de São Vicente/Divulgação) São Vicente registrou redução de 56,8% na taxa de mortalidade infantil entre crianças menores de 1 ano nos quatro primeiros meses de 2026, em comparação ao mesmo período do ano passado. Dados da Secretaria Municipal de Saúde apontam que o número de óbitos caiu de 16 (para 1.132 nascidos vivos, gerando uma taxa de mortalidade de 14,13) em 2025 para seis este ano (para 931 nascidos vivos, taxa aproximada de 6,44). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A diretora de Atenção Primária à Saúde de São Vicente, Paola Almeida Bueno de Camargo Canas, atribui o resultado ao fortalecimento da rede de atenção materno-infantil, com ampliação do pré-natal, acompanhamento especializado de gestantes e monitoramento mais próximo dos recém-nascidos nos primeiros meses de vida. Segundo Paola, que é médica, a maior parte das mortes infantis está ligada a complicações que têm origem ainda durante a gestação. “Normalmente, são os bebês que nascem muito prematuros por algum problema no pré-natal, identificado, ou não identificado, ou sem um manejo adequado. Esse bebê nasce muito prematuro e, infelizmente, acaba indo a óbito”. A médica destaca que as chamadas afecções perinatais – condições relacionadas ao período da gestação, ao parto e aos primeiros dias de vida – respondem pela maior parte dos casos. Entre os fatores de risco estão hipertensão gestacional, diabetes, infecções durante a gravidez e outras condições que podem provocar partos prematuros. “Por isso que é muito importante o foco ser o pré-natal. Com a regularidade de consultas e exames, a gente consegue classificar essa gestante, identificar precocemente se ela tem algum risco maior e encaminhá-la para um especialista”, explica a diretora. Medidas Entre as medidas adotadas pelo Município estão a mudança da estrutura do serviço e a ampliação da equipe da Central Obstétrica de Atendimento Secundário (Coas), investimento na redução da fila de ultrassonografias para gestantes e ampliação no acompanhamento dos bebês após a alta hospitalar. Atualmente, por exemplo, mães e recém-nascidos devem ser acolhidos pela rede municipal em até 48 horas após deixarem a maternidade. Outro fator apontado pela médica foi a ampliação da oferta do Implanon, método contraceptivo de longa duração, por meio de mutirões realizados desde 2022. “Tivemos uma redução de gestantes adolescentes, que era de 15%, e hoje está em menos de 9%, por conta desses mutirões. O planejamento familiar também tem um impacto muito importante na mortalidade, porque a gestante adolescente é uma gestante de risco”. Paola ressaltou ainda que, em anos anteriores, alguns óbitos ocorreram em domicílio por situações como broncoaspiração e asfixia durante a amamentação. Diante disso, além do acompanhamento durante a gravidez, a Secretaria Municipal de Saúde intensificou orientações às famílias sobre os cuidados com os recém-nascidos.