O primeiro voto na eleição de 1989, quando o país retomou as eleições diretas para presidente, foi revelado em São Vicente (Reprodução/Globoplay) Antes das urnas eletrônicas, a apuração dependia de cédulas de papel, mesas eleitorais e contagem manual. Em 15 de novembro de 1989, quando o Brasil voltou a escolher diretamente seu presidente depois de quase três décadas, uma urna de São Vicente ganhou um lugar especial na história eleitoral do País. Foi na cidade da Baixada Santista, a mais antiga do Brasil, que a televisão acompanhou a abertura da primeira urna apurada do Brasil. Ela tinha 85 votos. O momento foi registrado pela TV Globo. O repórter José Roberto Burnier acompanhou a abertura da urna para o Jornal Nacional. A transmissão mostrou o procedimento de retirada e conferência das primeiras cédulas. O detalhe que tornou a cena histórica foi justamente o fato de São Vicente ter sido escolhida para acompanhar a abertura da primeira urna do País. Uma eleição que era novidade A eleição de 1989 foi realizada em 15 de novembro e representou a retomada do voto direto para a Presidência da República. A última eleição presidencial direta havia ocorrido em 1960. A Constituição de 1988 estabeleceu a realização da eleição presidencial em 1989. A Lei nº 7.773, de 8 de junho daquele ano, determinou que a votação para presidente e vice-presidente ocorreria em 15 de novembro. A disputa daquele ano também ficou marcada pelo número excepcional de concorrentes. Foram 22 candidatos no primeiro turno, o maior número registrado em uma eleição presidencial brasileira. Entre os nomes estavam (partidos da época) Fernando Collor de Mello (PRN), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Leonel Brizola (PDT), Mário Covas (PSDB), Paulo Maluf (PDS), Guilherme Afif (PL), Ulysses Guimarães (PMDB), Roberto Freire (PCB), Aureliano Chaves (PFL), Ronaldo Caiado (PSD), Affonso Camargo (PTB), Enéas Carneiro (PRONA), José Marronzinho (PSP), Paulo Gontijo (PP), Zamir Teixeira (PCN), Lívia Maria de Abreu (PN), Eudes Mattar (PLP), Fernando Gabeira (PV), Celso Brant (PMN), Antônio Pedreira (PPB), Manoel Horta (PDC do B) e Armando Corrêa (PMB). A cédula oficial preservada pelo Museu do TSE registra os nomes e números dos candidatos. Entre os concorrentes havia figuras que posteriormente se tornariam ainda mais conhecidas, como Collor, Lula, Brizola, Covas e Maluf, mas também candidatos de partidos pequenos que tiveram espaço na primeira eleição presidencial da Nova República. Televisão acompanhou tudo A novidade não estava apenas nas urnas. A própria cobertura eleitoral também era diferente. A televisão acompanhou a abertura da urna de São Vicente justamente porque, em 1989, a contagem era manual. O processo nacional demorou dias, e a primeira urna tinha valor simbólico para uma imprensa que cobria uma eleição presidencial inédita para uma geração inteira de brasileiros. Burnier atualmente apresenta, desde abril de 2022, o jornal SP2, em São Paulo (Reprodução/Globoplay) Burnier O jornalista que cobriu a abertura da urna, José Roberto Burnier, começou na Globo nos anos 1980, no Globo Rural. Ele foi repórter na capital, âncora e editor-chefe do Bom Dia São Paulo, além de correspondente em Buenos Aires. Desde abril de 2022 é apresentador do SP2.