Porto das Naus é considerado o primeiro píer do Brasil para caravelas atracarem. Prefeitura busca verba para recuperá-lo como patrimônio (Alexsander Ferraz/AT) Vinte e dois de janeiro é uma data duplamente marcante na história de São Vicente. Nesse dia, em 1502, o navegador português Gaspar de Lemos chegou ao território, para o qual havia viajado com o objetivo de garantir a Portugal a posse do que se tornaria o território brasileiro. Ali ficaram os expedicionários João Ramalho e Cosme Fernandes, bacharel. Trinta anos depois, em 22 de janeiro de 1532, o navegador português Martim Afonso de Sousa chegou à ilha, onde Ramalho o recebeu. Foi nessa data que se instituiu a primeira vila do Brasil e nela se estabeleceu a primeira Câmara das Américas, cujos integrantes foram eleitos em 22 de agosto. Se já em 1502 a ilha havia sido denominada São Vicente — em alusão a São Vicente Mártir, padroeiro da família Bragança, que em Portugal patrocinava viagens a territórios estrangeiros —, por que aquele ano não é considerado como o da fundação? Explica-se: não houve, naquele momento, a instalação de um povoado que significasse a colonização do lugar. O abandono era tal que piratas ingleses e holandeses invadiram a ilha em busca de ouro, que acreditavam ser abundante. Franceses e espanhóis levaram exemplares de uma espécie de árvore, o pau-brasil, e peles de onças para seus países. Cartas náuticas e textos de navegadores europeus citam a ocupação esparsa de São Vicente. Indicam que, em 1530, dois anos antes da fundação oficial, havia de dez a 12 casas na ilha, nas quais viviam degredados — condenados ao exílio e expulsos de Portugal. A outra construção era uma torre para proteção contra os nativos do local, os indígenas, então vendidos como escravos. Não se trata da construção original, destruída ainda no século 16, mas Igreja Matriz remete às origens (Alexsander Ferraz/AT) COLONIZAÇÃO A chegada de Martim Afonso teve por objetivos dar fim ao tráfico de pau-brasil e estabelecer ali uma colônia. Em viagens posteriores, ele levou cabeças de gado e mudas de cana-de-açúcar, estas trazidas dos Açores, em Portugal. Essa planta, porém, teria cultivo mais bem-sucedido em Pernambuco. O núcleo da população era formado por igreja, Casa de Câmara e Cadeia e pelourinho, onde criminosos eram punidos. Essas estruturas foram destruídas por um maremoto em 1542. A Igreja Matriz foi reconstruída em 1598 e destruída por corsários. A atual sede data de 1757. O PRIMEIRO PORTO Outro elemento inicial de São Vicente era um porto, tido como o primeiro píer do Brasil para caravelas atracarem. Tratava-se do Porto das Naus, do qual restam ruínas e que, como se supõe, estaria ativo desde 1493 — sete anos antes de Pedro Álvares Cabral aportar em Porto Seguro, na Bahia, em 22 de abril de 1500. Há registros pelos quais um militar, explorador e administrador português, Francisco de Almeida, navegou naquela época pelo atual litoral vicentino a fim de estudar a elaboração do Tratado de Tordesilhas. Esse acordo, de 1494, definiu quais terras “descobertas e por descobrir” pertenceriam ao Reino de Portugal e à Coroa de Castela (Espanha). O Porto das Naus foi deixado de lado por volta de 1546, após o surgimento da Vila de Santos, porque o Canal de Enguaguaçu, nessa região, era mais favorável à atracação de embarcações e à movimentação de cargas. Hoje, está em ruínas, e a Prefeitura busca verbas federal e estadual para recuperá-lo enquanto patrimônio histórico.