Os quiosqueiros da Praia do Itararé, em São Vicente, ocupam os espaços há décadas e entraram com uma ação judicial contra a demolição dos espaços (Matheus Tagé/ Arquivo AT) A Justiça de São Paulo concedeu liminar na quarta-feira (4) para impedir a demolição e as ordens de desocupação de quiosques na Praia do Itararé, em São Vicente, no litoral de São Paulo, após permissionários afirmarem terem sido surpreendidos por notificações da Prefeitura para deixar os espaços na orla da cidade da Baixada Santista. A decisão considera, entre outros pontos, os prazos estabelecidos para a retirada dos comerciantes, que variavam de 45 dias a apenas 48 horas. Em nota, a Prefeitura diz que vai recorrer da decisão. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os quiosqueiros da praia de São Vicente, que ocupam os espaços há décadas, entraram com a ação judicial e relataram, segundo o documento, que a Administração Municipal justificou a demolição com a implementação do Plano de Gestão Integrada das Orlas (PGI) e do programa “São Vicente de Cara Nova”. A partir disso, a Prefeitura passou a emitir notificações para que os comerciantes desocupassem as áreas. Além disso, os quiosqueiros alegam que não houve transparência por parte da gestão e que houve tratamento desigual entre eles. Segundo os comerciantes, enquanto alguns foram realocados para outros espaços, outros receberam ordens para desocupar os quiosques. Diante disso, os quiosqueiros solicitaram à Justiça a suspensão das notificações e o fornecimento de informações mais detalhadas sobre o projeto urbanístico da orla. O que ficou decidido? O juiz analisou os requisitos necessários para a concessão da liminar e determinou a suspensão imediata de todos os atos administrativos de revogação ou notificações de desocupação das permissões de uso dos quiosques na orla da Praia do Itararé. Também ficou definido que a Administração Municipal não poderá retirar bens, nem impedir o funcionamento dos quiosques até o julgamento final do processo. A Prefeitura deverá apresentar, no prazo de 15 dias, informações detalhadas sobre o cronograma das obras. “Para o caso de descumprimento desta ordem, fixo multa diária de R\$ 5.000,00 (cinco mil reais) por impetrante afetado, limitada ao teto de R\$ 100.000,00, sem prejuízo de outras sanções legais”. Entre os próximos passos, a Prefeitura será notificada sobre a decisão, assim como a Procuradoria do Município. Após a manifestação da autoridade ou o término do prazo estabelecido, o processo será encaminhado ao Ministério Público para emissão de parecer. Posicionamento Em nota, a Prefeitura de São Vicente disse que, até o momento, não foi formalmente intimada sobre a decisão liminar. "Ainda assim, ao tomar conhecimento do teor da medida, esclarece que apresentará o recurso cabível, pois a Administração entende que a Orla do Itararé precisa passar por modernização e adequações para melhor atender à população e aos turistas", afirma a Administração Municipal. Relembre o caso Comerciantes dos quiosques da Praia do Itararé, em São Vicente, no litoral de São Paulo, afirmam ter sido surpreendidos por notificações da Prefeitura determinando a desocupação dos espaços em até 45 dias para demolição. Segundo eles, não foram apresentadas justificativas detalhadas, apenas a informação de que a área passará por um processo de revitalização, sem explicações sobre o projeto. A Administração Municipal informou que a medida integra um plano de reorganização do Itararé, que, de acordo com a gestão da cidade da Baixada Santista, atualmente não atende aos padrões estruturais estabelecidos pelo município. Uma quiosqueira da Praia do Itararé, que não quis ser identificada, relatou que a situação é desesperadora e que o local abriga pessoas que trabalham ali há mais de 10, 20 e até 30 anos. “São famílias que, em poucos dias, terão que deixar seu ganha-pão, pontos e a fidelização de clientes que foram conquistados com muita luta e suor. Sendo que a Prefeitura pretende transferir os quiosqueiros para lugares malconservados e vazios”. A quiosqueira complementa que ela e os outros comerciantes acreditam que a situação representa um desrespeito aos quiosques regulares, que, de acordo com ela, "pagam altas taxas à Prefeitura e, muitas vezes, enfrentam dificuldades impostas pela Administração (Municipal) para se regularizar". Outra quiosqueira ressalta que recebeu a notificação para desocupar o local em 45 dias, para que o espaço fosse liberado para demolição. “Porém, iriam me realocar para um lugar deserto e sem manutenção nenhuma”, afirma.