[[legacy_image_58929]] "O que nos dá força é relembrar os momentos que vivemos no São João, sentir o calor do público, que é o que eu mais sinto falta". É assim que Marcus Uelbi Teixeira, de 50 anos, que integra a Quadrilha Junina Tia Bola, busca enfrentar mais um ano sem as tradicionais festas juninas. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Fundada em 2007 com sede em São Vicente, a Quadrilha Junina Tia Bola é uma das mais tradicionais do estado. Durante o segundo ano consecutivo sem as festas juninas, Marcus Teixeira que, atualmente, é também diretor do Projeto Tia Bola, tenta manter as tradições com a equipe, mesmo que de forma adaptada. "Só quem vive do movimento junino sabe o quanto está sendo difcil manter a tradição". O produtor cultural explica que foi preciso um novo planejamento para seguir em frente. Para continuar com os ensaios, a quadrilha tem adotado as medidas contra o coronavírus e reunido apenas três casais por ensaio. Ainda segundo Teixeira, em anos anteriores as apresentações de junho a agosto chegavam a 50. Este ano, vieram em número bem mais reduzido e com adaptações para evitar a disseminação da covid-19. Além disso, tem realizado lives. Apesar dos esforços, o diretor lamenta ter visto parte da quadrilha sair do projeto. Desde o início da pandemia, o grupo foi de 26 para 11 casais. Ele relembra também que a quadrilha tem um importante papel social, já que um dos objetivos é tirar adolescentes e jovens de situações de vulnerabilidade social. "Eu perdi mais ou menos 30% dos meus dançarinos. Tem quadrilha junina hoje que não tem nem três casais. É muito doloroso. A gente calcula que é um dano irreparável o que a pandemia fez com o mundo junino". Apesar da situação, Teixeira ainda busca trazer os jovens novamente para a equipe, já que dentro da quadrilha é ensinado o valor da disciplina, mudando assim a vida de muitos jovens que participam dos projetos. Dia de São João Comemorado em 24 de junho, o Dia de São João é conhecido por festas com comidas típicas, músicas e danças. Para o Projeto Tia Bola, as festividades juninas são ainda mais especiais porque é uma forma de celebrar a cultura nordestina, da qual faz parte a família fundadora da quadrilha, e resgatar os bons princípios de tudo que tia Bola ensinou. Dentre as tradições, o grupo faz uma fogueira no dia de São João, que este ano foi adaptada para uma comemoração reduzida. O projeto e a quadrilha levam o apelido carinhoso da mãe de Marcus, Diva Vitorino Teixeira, que faleceu em 2012. Apesar da perda e da pandemia, a família segue com as ações sociais e a quadrilha e busca manter as tradições, mesmo com todos os desafios do cenário atual. “A perda é grande, mas é uma paixão tão incondicional pelo mundo junino que vamos seguindo”, finaliza.