“O vicentino vai ter orgulho de falar que nasceu em São Vicente”, diz Kayo Amado (Alexsander Ferraz/AT) A primeira cidade do Brasil não poderia ser valorizada apenas pelo seu ano de fundação. Por isso, o grande objetivo do prefeito Kayo Amado (Pode) é que São Vicente se torne cada vez mais atrativa para moradores, turistas e novos empreendedores. Aos poucos, os pilares de desenvolvimento de uma cidade vão ganhando força, fazendo da histórica vila do Litoral paulista referência para os demais locais que também estão prestes a completar 500 anos. Afinal, ao alcançar meio milênio de fundação, uma região não apenas celebra seu passado, mas também encontra oportunidades de crescimento e renovação, ao mesmo tempo em que resgata as suas memórias. Em entrevista para A Tribuna, o chefe do Executivo falou sobre as principais transformações dos últimos anos e do processo de revitalização, que envolve saúde, educação, segurança e turismo. Quais as principais transformações verificadas em São Vicente nos últimos anos? As principais transformações de São Vicente envolvem a recuperação da credibilidade da Cidade na região. Hoje, São Vicente é uma cidade mais viva, mais presente na vida e na memória das pessoas. Neste verão, por exemplo, as famílias e os turistas têm diversas opções de lazer, turismo e passeios, seja na nova orla do Gonzaguinha ou nas atividades pontuais no Itararé. Estamos transformando a vida de mais de 40 mil crianças por meio da Educação. Atualmente, as crianças têm escola com estrutura que dá gosto de ter aula, quadra coberta para praticar esportes, uniforme de verão e inverno, material escolar, valorização do professor, merenda de qualidade acompanhada por uma equipe técnica, escolas em período integral — hoje são cinco, e vamos dobrar esse número. Entendo que cuidar da criança é cuidar da família inteira. E em outros setores? Na saúde, demos fim ao Crei, temos uma UPA Central 24h em construção, já revitalizamos 18 das 26 unidades básicas de saúde, inauguramos um pronto-socorro de primeira linha no Rio Branco, o Hospital do Vicentino com uma estrutura enorme e de alta qualidade. Em breve, São Vicente terá um Complexo Materno Infantil, a nossa maternidade. Seu filho vai nascer aqui. Na segurança, a principal transformação foi colocar a segurança pública de São Vicente no século 21. De que forma isso foi feito? Era inadmissível uma cidade do nosso porte não ter uma central de monitoramento com câmeras nas ruas. Hoje, a Guarda Civil Municipal (GCM) é tratada com respeito e estrutura. Há muito tempo não se viam festividades de final de ano com tanta tranquilidade e segurança. É assim que vamos resgatar cada dia mais o orgulho de ser vicentino. O que está previsto a partir de agora, quando se trata de investimento em infraestrutura? Continuar as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) na Área Continental, com investimento de mais de R\$ 500 milhões. Essa região terá quatro estações (Ponte Nova, Quarentenário, Rio Branco e Terminal Samaritá). Viabilizamos mais R\$ 16 milhões para construção da UPA Central 24h. Vamos continuar o trabalho de pavimentação e iluminação nos bairros. Só no primeiro mandato, foram mais de 100 ruas asfaltadas e 25 mil novos pontos de iluminação. O olhar para a mobilidade ativa também vai continuar recebendo atenção neste mandato — as obras da ciclovia da Avenida Tupiniquins (Japuí) serão iniciadas em breve. E a questão das enchentes? Estamos concluindo a maior obra contra enchentes que São Vicente já viu. O canal da Avenida Eduardo Souto foi completamente revestido para aumentar a capacidade do escoamento nos dias de chuva e/ou alta da maré. Foram 750 metros de obra, praticamente concluídas, que já estão impactando moradores de Tancredo, Náutica, Pompeba, Vila Fátima e Jóquei. Também está em andamento a instalação de comportas em oito locais da cidade: Avenida Castelo Branco, Pompeba, Dique do Piçarro, Dique das Caixetas, Sambaiatuba, Caminho da Divisa, Sambaiatuba 2 e Beira Jóquei. Nosso trabalho de bater na porta do Governo do Estado funcionou, e destravamos R\$ 30,5 milhões para drenagem. De passo em passo, vamos melhorando a cidade. Quais são as iniciativas da Prefeitura para melhorar a segurança pública, em parceria com os órgãos estaduais e federais? Recebemos muitos turistas ao longo do ano e precisamos de reforço. Tenho conversado constantemente com o Governo do Estado, pois precisamos de mais polícia na rua, ou seja, aumento no efetivo. O Município fez investimentos no apoio à política de segurança. Agora, esperamos que o Estado instale um novo batalhão em São Vicente. Estamos oferecendo áreas, e seria muito impactante poder contar com pelo menos 70 novos policiais militares efetivos em São Vicente. Hoje, vamos anunciar 35 novos agentes para a nossa GCM. Agora temos sistema de monitoramento, radiocomunicadores, armamento para GCM, novas viaturas, coletes para os nossos agentes, uma nova base bem equipada e valorização para os nossos guardas municipais. Estamos empenhados em apoiar a Polícia Militar e, por isso, precisamos desse olhar da PM para os períodos além da Operação Verão. Quais os outros investimentos previstos para a área de saúde, além do Complexo Materno Infantil? São Vicente terá uma UPA Central 24h, a UPA que São Vicente merece. Um investimento de R\$ 16 milhões do Estado, e as obras já começaram. Seguiremos o trabalho de revitalização das UBSs. Também falta pouco para entregarmos o Complexo Materno Infantil. São Vicente vai ter uma maternidade pra chamar de sua. Estamos finalizando um prédio de cinco andares com mais de 90 leitos para as mamães e seus bebês. O vicentino vai ter orgulho de falar que nasceu em São Vicente. É uma parceria de muito sucesso com a Fundação Lusíada, que está investindo R\$ 67 milhões na construção. A Área Continental é a aposta para expansão do Município? Sim. Definimos as vocações, buscamos os investimentos e estamos inserindo a Área Continental na dinâmica da Baixada Santista. O Porto e o VLT vão integrar a Área Continental de São Vicente com toda região. A Área Continental é uma área estratégica para a logística e o desenvolvimento econômico de São Vicente e para quem investir na nossa cidade, pois nela se destacam as facilidades de acesso através de rodovia, ferrovia e, até, hidrovia. Estamos trabalhando para inserir a Área Continental na Poligonal do Porto. Esse projeto já está nas mãos do Ministério de Portos e Aeroportos, em vias de acontecer. Essa região vai ampliar a capacidade logística e de desenvolvimento do maior porto do Hemisfério Sul. Com isso, toda a Baixada Santista só tem a ganhar. O VLT vem para trazer mais facilidade de locomoção para mais de 160 mil pessoas. Isso motiva a atração de empresas, construção civil e geração de empregos na região. No meu governo, o que tem na Área Insular precisa ter na Área Continental. Digo isso porque tivemos escolas revitalizadas no Humaitá (Luiz Pinho), Parque das Bandeiras (Mario Covas Jr.) e Quarentenário (José Meirelles). A creche Irmã Dolores, no Rio Branco, a Amei Rei Pelé, o Fundo Social da Área Continental, o Centro de Capacitação da Área Continental, o Facilita, levando serviços de utilidade pública aos bairros. Enfim, a Área Continental, no nosso governo, começou a ser tratada como merece. Há projetos habitacionais para reduzir o déficit de moradias na cidade? O foco no momento é a regularização de áreas, bairros e residências. É muito importante que a pessoa tenha a escritura de sua casa. Isso sim é prioridade. Estamos trabalhando junto ao Governo do Estado no Programa Cidade Legal, que auxilia municípios em projetos de regularização fundiária. Estamos inserindo diversos núcleos para mudar a realidade de muitas famílias em áreas sensíveis de São Vicente. Fomos selecionados em dois projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com a destinação de unidades habitacionais. Esse processo está em andamento e vai beneficiar muitas famílias. Como a Prefeitura apoia os pequenos comerciantes e empreendedores locais? A formalização é dignidade para o empreendedor. Estamos trabalhando para que São Vicente seja uma cidade com menos burocracia e mais atratividade para os empresários de todos os portes. Antes, para abrir uma empresa, a espera era de mais de três dias. Agora, só 17 horas. Também criamos políticas de incentivo, como a Zona Especial de Turismo e a ampliação no potencial construtivo.Valorizamos o centro comercial com novas coberturas, câmeras de monitoramento, dando mais segurança aos comerciantes e para os consumidores. A Rua Martim Afonso foi transformada no Boulevard Martim Afonso, com acessibilidade e conforto para quem vai fazer compras. Estamos também oferecendo cursos de capacitação profissional e assessoria para pequenos empresários através do Fundo Social e outros serviços das nossas secretarias ligadas ao desenvolvimento econômico de São Vicente.