[[legacy_image_232534]] O prefeito de São Vicente, Kayo Amado (Podemos), confia na teoria de que, depois da tempestade, vem a bonança. O chefe do Executivo aposta numa mudança de status da Cidade, que busca equacionar as dívidas, mas sem deixar de investir em obras. São Vicente vive a expectativa pela terceira fase do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT ) rumo à Área Continental, enquanto lida com a necessidade de melhorar a segurança, tendo os totens como símbolo de um processo de readequação. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O seu primeiro ano de mandato foi definido como de “terra arrasada para plantio dos primeiros frutos”. Após 2021, como definir esse segundo ano?O início do plantio mais preciso, sabendo onde plantar e o que vai vingar. Nossa maior vitória foi na Educação, com material escolar para todas as crianças. Tenho bolas na minha sala porque essa é outra marca. Levamos material esportivo e de brinquedoteca para as escolas. Não imaginamos a importância do brinquedo, da bola e do bambolê dentro de uma escola, para fazer a criança aprender o lúdico, ter uma atividade física melhor. Tem a questão da merenda. as crianças comem bem em São Vicente. Por todos os cantos da Cidade, estamos fazendo reformas consistentes nessa área. Tem coisas que queria ter implantado nesse primeiro biênio e não pôde?Tem sim. Uniformes para as crianças, de qualidade. Para mim, quando a gente consegue fazer o que tem de melhor, e o dinheiro da Educação chegar na ponta, oferecendo o melhor para elas, isso é transformação social. Um problema apontado pelo senhor no primeiro ano de mandato foi o das dívidas. Como está a cidade hoje nesse aspecto?A gente tem dívidas negociadas até 2040. Já fiz um exercício de perguntar para as pessoas onde elas se imaginam em 2040. Eu digo; a Cidade estaria pagando dívida. Isso é uma certeza. Por mês, a gente está falando de uma receita entre R\$ 65 milhões e R\$ 80 milhões e 10% disso pagando dívidas. Todo mês, é um cheque que assino e rasgo o dinheiro da Cidade. Imagina se pudesse usar esse dinheiro em investimentos. Sobre segurança: qual o balanço que o senhor faz, por exemplo, da efetividade dos totens instalados?A Segurança Pública é uma obrigação e dever do Estado. Esse é o primeiro ponto. Recebi uma São Vicente onde meu guarda civil não tinha colete à prova de balas, não estava armado nem tinha viatura. Tento, minimamente, de fortalecer a minha guarda para ser um apoio à política de segurança pública. Os totens funcionam. Amenizam, mas não resolvem, pois o problema da insegurança é fundado em bases muito profundas. Temos ainda 10 viaturas novas e radiocomunicadores para a Guarda Civil. É o bastante? Não. É o começo. Este ano teve uma mudança importante no transporte público, com a saída da Otrantur. Hoje, pode se dizer que esse serviço atende bem ao vicentino?O transporte saiu do caos para a normalidade. Uma empresa que jamais deveria ter entrado na Cidade e ingressou com um contrato de 20 anos. Essa foi a Otrantur. A gente precisou de muita coragem e trabalho jurídico para mexer nesse vespeiro, Conseguimos tirá-los tecnicamente e juridicamente da Prefeitura. Foi difícil, mas a gente consegue medir, se o transporte está bom ou não, pelas taxas de reclamação, de ouvidoria. E temos notado que a nova empresa tem oferecido um serviço bom. Sobre Saúde: este ano, tivemos a inauguração do Hospital do Vicentino, mas há muito a ser feito. Como lidar com esse calcanhar de Aquiles histórico da Cidade?A saúde precisava passar por uma transição, por uma reorganização dos seus equipamentos. O problema da saúde tinha por trás um erro de gestão muito claro. E como transcorre essa transição?Vou ter um hospital na Linha Vermelha, um PS Central no Centro da Cidade e um no Jardim Rio Branco, que estava construído, mas não tinha dinheiro para inaugurar. E quero trabalhar, já no início do ano, um grande programa de atenção básica. Existe a expectativa pelas obras da terceira fase do VLT, com direção à Área Continental.Para mim, é a maior de todas. Enquanto a gente está trabalhando num passivo na Avenida Antônio Emmerich, atuamos fortemente pelo VLT. Foi importante a apresentação do processo da contratação dos projetos executivos e das obras da ponte ferroviária, já que a rodoviária teve sua reforma concluída. A gente acredita que, em 2023, haja movimentações maiores, tanto no trecho que chega ao Samaritá como na ponte. E as demais áreas de São Vicente?Estamos trabalhando para fortalecer a orla do Gonzaguinha, Acabamos de fazer uma intervenção na Avenida Prefeito José Monteiro, com sinalização viária, lombofaixas para amenizar a questão de acidentes. A Ulysses Guimarães, importante na Área Continental, passará por reurbanização, com algumas mudanças para tentar amenizar as enchentes. A Capitão-mor Aguiar também vai se desenvolver. Meu objetivo é empurrar um pouco mais o Centro da Cidade para lá. Tenho levado alguns equipamentos públicos para incentivar novos comércios. Quanto à Habitação: de que forma possível minimizar o déficit nessa área?São Vicente é a cidade com maior déficit habitacional da Baixada Santista. Sobre o Conjunto Habitacional Tancredo Neves, é uma obra que resolve os problemas habitacionais de Santos, não daqui. Me incomoda colocarem isso como grande entrega para São Vicente. Então, é importante dizer para as pessoas que 1.100 famílias que vão para lá poderiam ser de bairros de São Vicente, mas não foi assim. Eu peço ajuda para o custeio de todas as famílias que se tornarão vicentinas. Serão todas bem-vindos, vamos ajudar da forma que for possível, mas o custeio disso ficará com a cidade de maior número de pessoas precisando de moradia. E quanto à regularização fundiária?É um dos nossos enfoques na Secretaria de Habitação. Estamos trabalhando num programa, desde 2021, de regularização fundiária, para que as pessoas tenham seu direito de propriedade. Tenho, ao todo, dez núcleos para regularizar. Estou falando de quase 15 mi lotes. Quando a gente começa a regularizar, passa a organizar o presente e o futuro da Cidade. Sobre a sua relação com os deputados da região: como vê esse incremento nessa representação e fale um pouco da relação com o novo governador.Vejo que, às vezes, o deputado tem sempre o ímpeto de ajudar. Quero aproveitar esse ímpeto. Não tenho problema abertamente com nenhum deles. Quero mais é que todos eles possam trazer recursos. E como é a relação com o governador eleito Tarcísio de Freitas (Republicanos)?Eu o apoiei no segundo turno. Tive a oportunidade de conhecê-lo, de jantar com ele, e ele me tratou como prioridade. Apertou minha mão e disse que podia contar com ele para a fase 3 do VLT. Que ele enxergue São Vicente omo a cidade merece. Por fim; a questão do funcionalismo público. Você tinha a ideia de fazer uma reforma administrativa e valorizar o servidor. Como a Prefeitura lida com esse tema?Apesar das dificuldades financeiras, o servidor é uma prioridade. A gente sempre está tentando encontrar caminhos para dar condições melhores de trabalho e de salário, que é defasado e a gente reconhece. Tenho começado a receber os ofícios das pautas dos servidores. Vamos começar uma negociação nos próximos meses, para encontrar um ponto de equilíbrio entre tudo o que se espera e o que a Prefeitura pode dar.