Ainda não há previsão de quando o local será reaberto ao público (Sílvio Luiz/AT) Fechado desde março de 2020 por risco de deslizamento de encostas, o Parque Ecológico Voturuá, conhecido como Horto Municipal de São Vicente, começará a passar por obras de revitalização ainda neste semestre. Segundo a Prefeitura, o processo licitatório foi concluído e a empresa MM Fiorati será responsável pela primeira etapa da intervenção, que deve durar 12 meses. Apesar do avanço, a Administração admite que a verba disponível é insuficiente para reabrir integralmente o espaço. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a secretária de Turismo, Juliana Santana, a primeira fase da revitalização será realizada com um repasse de R\$ 1,5 milhão do Governo Federal e prevê a recuperação parcial da área, com instalação de playground, implantação de espaço para atividades esportivas e melhorias estruturais, como intervenções no piso. “Esse recurso nos ajuda a dar esse início, mas ele não é suficiente para revitalizar todo o parque. Então a gente continua buscando recursos do Governo Federal e do Governo do Estado para tentar viabilizar as intervenções até o final do projeto”, explicou. Segundo ela, estudos iniciais apontavam a necessidade de um investimento de cerca de R\$ 20 milhões. A secretária ressalta que a prioridade é garantir que o parque seja reaberto com segurança e que o fechamento nunca foi uma decisão administrativa, mas uma determinação da Defesa Civil após o deslizamento registrado em 2020. “A gente teve uma atualização junto ao Instituto de Pesquisa Tecnológica (IPT) e também da Defesa Civil. Houve uma adequação onde a gente pode usar uma parte do horto onde o deslizamento não chegaria. Além disso, a Defesa Civil também instalou sirenes e um sistema pluviométrico para poder acompanhar e, em caso de muita chuva, fazer um sistema de evacuação do horto”, explicou. Segundo Juliana, somente após a conclusão desta primeira etapa será possível definir, junto à Defesa Civil, quais outras áreas poderão ser utilizadas com segurança e quais novas intervenções serão necessárias. “Não adianta a gente abrir porque existe uma pressão popular e colocar a vida das pessoas em risco”. Animais Enquanto o parque permanece fechado, 21 animais continuam vivendo no local. Segundo a Prefeitura, atualmente permanecem no Horto macacos-prego, saguis-de-tufo-branco e cágados-tigre-d'água e de orelha-vermelha. Conforme a Administração, todos recebem acompanhamento diário de tratadores, médicos-veterinários e biólogos. Juliana explica que a maior parte da fauna que integrava o antigo zoológico já foi transferida para instituições especializadas, após o encerramento dessa atividade no parque. “O hipopótamo Ramon está lá no Zoológico de São Paulo. Algumas aves foram para Foz do Iguaçu, em um espaço específico para aves. Nosso pessoal do Horto acompanhou todo esse processo de destinação de forma muito responsável”, afirmou. Parque segue vivo na memória de vicentinos Mesmo fechado há seis anos, o Horto Municipal continua ocupando um lugar especial na memória dos vicentinos. A expectativa pela reabertura aparece principalmente entre moradores que frequentavam o espaço na infância e agora gostariam de apresentá-lo aos filhos. Moradora da Vila Margarida, Thaís Lima Nascimento, de 36 anos, conta que já foi ao parque com o filho mais velho, de 15 anos, mas a filha, de 9, nunca conseguiu conhecer o parque. “Ela queria muito conhecer, só que ainda não tive a oportunidade de levá-la porque está fechado”. Quem também sente falta do parque é José Manoel Dias, de 77 anos. “Eu ia com bastante frequência lá, levava meus netos para passear e, desde então, esse passeio ficou prejudicado”, lamentou. Para Ana Cristina Alves Mota, de 47 anos, o fechamento representa uma perda para o turismo e para o lazer da cidade. “Aquele espaço ali é belíssimo. Eu sou adulta, mas eu amo bicho. Imagine as crianças agora no período de férias terem um lugar não só para a visitação aos animais, mas também para recreação”. Pai de duas crianças, Vitor Francisco da Cruz Silva, de 27 anos, afirma que a falta do parque obriga muitas famílias a buscar entretenimento em cidades vizinhas. “Eu acho muito ruim estar fechado, porque São Vicente já não tem muito lazer. Então você não consegue passar com os filhos e brincar ou ter um lazer normal no fim de semana. Você é obrigado a ir a outra cidade”.