Objeto não identificado metálico cai do céu e atinge casa em São Vicente (Michel Ramos dos Santos) Era só mais um sábado à noite, até que um estrondo assustou o maquinista ferroviário Michel Ramos dos Santos, de 39 anos: um objeto metálico ainda não identificado caiu sobre o telhado de sua casa, na Naútica 3, em São Vicente, Litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Além de quebrar parte da estrutura, o objeto que caiu com partes em brasa chegou a derreter o cano da caixa d’água da casa, que precisará ser consertado para evitar futuros vazamentos. “Um prejuízo pequeno, mas graças a Deus não teve feridos”, diz Michel. O caso aconteceu no último sábado (6). Quando ouviu o barulho, o maquinista correu para fora do imóvel e, ao ver a fumaça, pensou que o poste tinha sofrido um curto-circuito. Assustado, tentou de todas as formas encontrar a origem da fumaça que, na verdade, estava no telhado da casa. Quando entrou no forro da casa e finalmente viu o objeto que tinha caído do céu, imaginou que pudesse ser uma bomba caseira, fogos de artifício e até mesmo um sinalizador. No fim das contas, ele, a família e os amigos não fazem ideia do que pode ser. Lixo espacial Para buscar uma resposta, A Tribuna procurou o professor do Instituto de Física de São Paulo (IFSC/USP) e coordenador do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotôtonica, Euclydes Marega Júnior. Segundo o professor da USP, o objeto que caiu em São Vicente nada mais é que lixo espacial. “Não pode ser um balão meteorológico. Pela foto, ele passou por uma situação de alta temperatura e isso é a indicação de que é um pedaço de um objeto colocado em órbita da Terra e que entrou de novo na atmosfera”, explica Marega. “Se fosse um balão, as peças estariam quebradas e amassadas, sem sinal de queima”. Lixo espacial são partes de satélites em órbita ou de foguetes lançados da Terra. No espaço, há milhares deles e cada um tem uma vida útil. Após essa vida útil, o objeto pode começar a apresentar um mau funcionamento: com a perda de velocidade, a tendência é que ele caia novamente na Terra. O professor da USP explica que hoje há milhares de satélites no espaço e cada um deles tem uma vida útil. Após o fim deste período ou caso o objeto apresente um mau funcionamento, perde-se o controle dele. “Com a quantidade de objetos em órbita da Terra, eventos como este vão ficar cada vez mais frequentes”, afirma. Objeto não identificado metálico cai do céu e atinge casa em São Vicente 1 (Michel Ramos dos Santos)