Segundo a Prefeitura, cerca de 70% dos serviços, na Praça Bernardino de Campos, no Centro, terminaram (Vanessa Rodrigues/AT) Após sucessivos atrasos e quase três anos desde o início das obras, a nova rodoviária de São Vicente entrou na reta final de construção. Segundo a Prefeitura, cerca de 70% dos serviços já terminaram. Por ora, moradores, comerciantes e frequentadores da região convivem com um misto de expectativa e preocupação. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Reportagem esteve na Praça Doutor Bernardino de Campos, no Centro, na semana passada, e viu frentes de trabalho em andamento. Conforme a Prefeitura, a obra está na fase de acabamentos, revestimentos e instalação das estruturas metálicas. A Administração atribui os atrasos a uma liminar judicial que paralisou as obras e afirma que o investimento permanece em torno de R\$ 6 milhões. O projeto, iniciado no final de 2023, previa conclusão em 365 dias. “Foi quase o prazo de uma Copa do Mundo”, comparou Jeorge Karwaski, de 43 anos, gerente de uma academia diante da praça. “Funcionando, (o terminal) traz progresso e movimento.” Mesmo otimista, Karwaski afirma que a preocupação mudou. “Se para um carro na esquina, você vê a fila que fica aqui no entorno. Então, eu acredito que a logística vai ter que ser bem estudada para não travar o trânsito, porque as ruas são estreitas e a saída não existe.” Outra dúvida é onde estacionar. Jane Santos Lopes, de 53 anos, frequenta diariamente a academia há três décadas e teme abandonar a rotina pela dificuldade de parar o carro. “Não vai dar para pagar estacionamento, porque eu venho todos os dias. Aí, fica até mais caro que a mensalidade.” Sob anonimato, um morador disse ter aberto processo para abrir uma vaga de garagem em casa — algo de que, segundo ele, a maioria dos moradores próximos não dispõe. “Acho que, para um local residencial, uma rodoviária deve trazer bastante transtorno”, opina. Administração alega que liminar atrasou andamento dos trabalhos (Vanessa Rodrigues/AT) Expectativas Apesar das preocupações, a maioria dos entrevistados pensa que o terminal poderá levar desenvolvimento ao entorno. Dona de uma banca na região há cerca de quatro décadas, Araci de Lima Matos Rodrigues, de 80 anos, acredita que a rodoviária aumentará o fluxo de pessoas e, com isso, o movimento comercial crescerá. Moradora nas proximidades, Regina Moki, de 62 anos, acredita que a estrutura poderá revitalizar o local. “Era muito escuro, muito abandonado. Agora, não. Graças a Deus, tem bastante movimento. E, principalmente, no final de semana, que é deserto, vai ter mais movimento também.” “Está todo mundo num vazio, porque (o projeto) não foi explicado. A gente só espera que a gestão seja feita da melhor maneira, porque, para ser um elefante branco, não adianta”, diz Jeorge Karwaski. Karwaski: quase “uma Copa”; Araci: região terá mais gente; Regina: “Era muito escuro” (Vanessa Rodrigues/AT) Prefeitura Em nota, a Prefeitura informou que o terminal terá cinco plataformas de embarque e desembarque, áreas cobertas e climatizadas, base 24 horas da Guarda Civil Municipal (GCM), lojas, lanchonetes, sanitários, ponto de táxi e área para embarque de passageiros por aplicativos. Esperam-se 500 passageiros por dia. Segundo a Administração, os ônibus acessarão o terminal pelas ruas Ipiranga e Jacob Emmerich e pela Avenida Antônio Emmerich, com saída pela Rua Lima Machado em direção à Rodovia dos Imigrantes. Para permitir a circulação dos coletivos, a faixa da direita da Rua Lima Machado terá estacionamento proibido. A Prefeitura afirmou que a nova rodoviária integra o programa São Vicente no Eixo, que prevê intervenções viárias nas avenidas Capitão-Mor Aguiar, Capitão Luiz Pimenta, Linha Amarela e no canteiro central do Itararé para melhorar a mobilidade urbana. Ainda na nota, a Administração Municipal ressaltou que “a atual gestão herdou um cenário de abandono em relação à estrutura rodoviária do Município. O antigo terminal funcionava em um espaço projetado para abrigar um teatro, sem as condições adequadas para o transporte rodoviário”.