[[legacy_image_199921]] O mar ‘desapareceu’ em uma área de São Vicente, próximo à Ponte Pênsil, no último fim de semana, após a passagem do ciclone extratropical no litoral de SP e imagens da região chamaram atenção de internautas nas redes sociais. Moradores, porém, relataram para A Tribuna que a maré baixa é comum no local, influenciada pela fase da lua. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O repórter-fotográfico Alexsander Ferraz, de A Tribuna, esteve no local nesta segunda-feira (15) e registrou o recuo da água. O aposentado Antonio Euclides de Castro Lancha, de 78 anos, diz que mora no mesmo bairro desde que nasceu e já presenciou o ‘sumiço’ do mar diversas vezes. “A gente chama de maré torrada porque tudo fica seco”, explica. De acordo com ele, o fenômeno costuma acontecer durante a lua cheia. “Mas não é em toda que dá (maré baixa). O que altera de vez em quando são os ventos, mas alteram na maré cheia”, afirma. O morador do bairro Parque Bitaru, Manoel Branco Monfardini, de 49 anos, também diz que o fato acontece com frequência na região. “A maré vazia aqui é normal. Eu moro aqui há mais de 30 anos”, ressalta o motorista carreteiro. Sistema meteorológicoA meteorologista do Climatempo, Fabiene Casamento, informou que este recuo do mar se deve à posição de uma área de alta pressão atmosférica no Oceano Atlântico, próximo à costa. O ciclone extratropical teria potencializado essa condição. A especialista explica que esse sistema meteorológico é comum e faz com que os ventos se movimentem no sentido anti-horário e de cima para baixo, em espiral. Devido a isso, acaba empurrando as águas do oceano em direção ao mar aberto. "Como a intensidade do vento é moderada e a duração do vento é longa sobre a superfície, ele gera um efeito de transporte chamado Ekman. Esse transporte Ekman gera um empilhamento das águas, uma inclinação, e tem a influência da força de Coriolis, que só é sentida em massas que estão em movimento girantes, um movimento que ocorre distante do Equador e acontece através da rotação da Terra, tendo seu efeito máximo nos polos", explica a meteorologista em entrevista ao Estadão. Ainda, Fabiane explica que outro fator que também influencia para o recuo do mar é a fase da Lua, que encontra-se cheia desde quinta-feira (11). "Essa fase também mexe com as marés, que deve ser alta, conhecida como maré sizígia. Que é quando o Sol, a Lua e a Terra estão na mesma linha, ou seja estão alinhadas, nessa fase da Lua e a força gravitacional que a Lua exerce sobre a Terra afeta o movimento da água do mar", conclui. *Com informações do Estadão