[[legacy_image_190244]] Uma moradora de São Vicente afirma ter sido ameaçada por funcionários de uma lanchonete que foram até a porta de sua residência após ela reclamar de um pedido feito no aplicativo de delivery iFood na última semana. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A enfermeira, de 35 anos, que prefere não se identificar, explica que pediu um combo com lanche, batata frita e refrigerante. Na foto, a bebida era uma lata, mas o que chegou foi uma garrafinha de 200 ml. Por isso, a mulher alertou o aplicativo da confusão e o Ifood cancelou o pedido e estornou o valor sem que ela pedisse. A mulher garante que não havia qualquer observação de que a foto era uma imagem ilustrativa, por isso, acreditou que seria um refrigerante de 350 ml. “Reportei para a plataforma, afinal, fiz o pedido por lá. Não solicitei cancelamento, apenas usei a opção ‘meu pedido veio errado’ e descrevi o item. De verdade, achei que assim o erro seria corrigido”, diz em entrevista para A Tribuna. Minutos após o cancelamento, dois homens foram até a casa da enfermeira. Ela não entendeu bem o que foi dito no interfone, mas acreditou que seria o motoboy com o pedido certo. Por isso, pediu para o marido descer com o celular para mostrar o print. Porém, a família teve uma surpresa. “Desde o início, um rapaz ‘intimidou’. Ele não veio saber se houve algum mal entendido. Então apareceu outro atrás do muro, também tirando satisfações. Eu estava vendo da janela e fiquei com medo”, destaca a mulher. A enfermeira diz que pediu para o marido subir e não tentar mais se explicar, mas os homens diziam frases como “isso não vai ficar assim” e a xingavam de “morta de fome” e “golpista”. [[legacy_image_190245]] Após a situação com os funcionários, a mulher diz que tentou procurar o contato de algum responsável pelo estabelecimento pela internet. “Aquilo não me parecia coisa que um proprietário sério faria”, ressalta. Foi então que percebeu que tinha recebido uma mensagem da página da loja em sua conta do Instagram que não costuma usar. “É o mesmo e-mail que uso no iFood, talvez tenham me achado assim”. Desta forma, a enfermeira usou a página do estabelecimento para encontrar o contato da proprietária. “Relatei o ocorrido com surpresa e enquanto escrevia a mensagem dizendo que faria um Pix do valor que o iFood cancelou, ela me surpreendeu com uma resposta dizendo que eram os ‘sócios’ (que foram até a casa) e que ela estava ciente de tudo. Depois disso foi uma sequência de baixaria, palavrão e ameaças”. [[legacy_image_190246]] A mulher ressalta que a proprietária chegou a mandar uma foto da fachada da casa da cliente dizendo que sabe o endereço onde a encontrar. Por isso, ela divulgou o ocorrido nas redes sociais e tentou fazer um boletim de ocorrência de ameaça pela internet, mas não conseguiu por falta de dados dos acusados. “Postei o feedback negativo em alguns grupos da cidade (nas redes sociais), pois consigo fazer a avaliação na plataforma devido o pedido ter sido cancelado. Mas jamais prejudicaria o estabelecimento por besteira. Após a divulgação, ela diz ter recebido ainda mais ameaças. “Disseram que já fiz isso outras vezes. Eu peço almoço e janta todos dias pelo iFood e nunca solicitei cancelamento ou reembolso”. A enfermeira relatou ainda que teve um desconto na compra que seria de R\$ 18,99, pois compra ‘kits de cupons de desconto’ na plataforma devido ao constante uso do aplicativo. [[legacy_image_190247]] “No mundo violento onde vivemos hoje, ser intimada por dois homens na porta da sua casa e continuar recebendo ameaças por rede social apenas por não concordar com um produto que recebeu errado é inadmissível”, desabafa a mulher. Assustada, ela diz que irá continuar alertando as pessoas para que isso não se repita. “Deveriam reclamar com a plataforma e não comigo. Agora mudaram a descrição no cardápio do iFood, como se eu tivesse agido de ma fé. Mas eu tenho o print de que eles só mudaram depois de tudo”. “Sou trabalhadora, dou valor ao meu dinheiro e só espero receber o produto como anunciado. Essa ameaça nunca vai me fazer deixar de ir atrás dos meus direitos”, finaliza. Procurado pela Reportagem, o iFood não se pronunciou sobre o caso. Outro ladoA Tribuna entrou em contato com o estabelecimento, que, por meio da proprietária - que se identificou apenas como Sabrina, se manifestou sobre a denúncia. De acordo com a loja, trata-se de um “mal entendido”, pois como o pedido havia sido cancelado e não há suporte para entrar em contato com o cliente pelo aplicativo, dois sócios foram pessoalmente saber o que tinha acontecido e resolver. “Não foram para cobrar o valor retido pelo iFood, pois somos um comércio novo e sério. Não deixamos clientes insatisfeitos. Porém os clientes se sentiram ameaçados”. O estabelecimento ainda ressalta que teve medo de ser um golpe, devido aos casos que acontecem por meio de aplicativos. "Porém, não os acusamos e entendemos o motivo, ainda que sem concordar, pois a lata de refrigerante que está na imagem 'ilustrativa' do iFood, não está especificado que é de 350ml”. A proprietária admite ter entrado em uma discussão com a enfermeira por meio de mensagens nas redes sociais, mas não aceitou o pagamento proposto pela cliente, já que o objetivo não era cobrar, mas entender o ocorrido e resolver o caso “da melhor maneira”. Sobre as postagens nas redes sociais, a loja diz que compreende o direito da consumidora, mas que as publicações geraram “discussões nos comentários com pessoas que não tem ligação com o estabelecimento”. Além disso, um dos posts continha informações como o cadastro do CNPJ do comércio, gerando ameaças de desconhecidos. Ainda em contato com a Reportagem, o estabelecimento afirma que como os envolvidos possuem amigos em comum, o marido da enfermeira compreendeu o caso, apesar de citar os pontos negativos observados por ele e o caso foi dado como encerrado pela loja. “Nosso foco é deixar nossos clientes satisfeitos sempre, porém um mal entendido gerou toda essa exposição desnecessária”.