[[legacy_image_242661]] A aposentada Othonita Mary Bispo Santos, de 58 anos, pode se considerar uma vencedora. Moradora de São Vicente, ela ficou internada por mais de um mês - desde 23 de dezembro do ano passado - em uma área de isolamento na UPA Barris, em Salvador. Havia um vidro para comunicação e a irmã ia três vezes por semana ao local. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O motivo é que ela não conseguia transferência para um hospital na própria capital baiana - por falta de vagas no Sistema Único de Saúde - com o intuito de receber tratamento específico para leucemia. A boa notícia veio na tarde da última sexta-feira (27), quando ela foi avisada de que iria para o Hospital Irmã Dulce, também em Salvador, o que a deixou bastante emocionada. "O que eu sei é que daqui (do novo local de internação) só saio quando estiver boa", afirma Othonita. A doença foi descoberta em novembro do ano passado, justamente quando ela estava na Bahia, depois de Othonita passar por exames e ser encaminhada para a internação, em razão da piora do quadro. A aposentada também está com eritrodermia esfoliativa, síndrome caracterizada por manchas vermelhas na pele e descamação generalizados, além da leucemia mielóide crônica, tipo de câncer que afeta a produção do sangue - no caso, a anormal dos glóbulos brancos, os leucócitos - e a medula óssea. O problema de pele, inclusive, impede que ela retornasse para São Vicente, pois a falta de pele no corpo implicava diretamente em falta de imunidade, abrindo possibilidade de que Othonita pegasse uma bactéria. "A médica da UPA tinha me falado que o tratamento para pessoas com problema de pele geralmente é de dois a três meses. Vamos ver agora o que os exames que fiz hoje (neste sábado) vão mostrar", conta a aposentada. Negligência A aposentada convive com o problema desde 2018, depois de ter passado por profissionais e hospitais de São Vicente e Santos que não detectaram a leucemia. [[legacy_image_241581]] "Foi tanta negligência que ela poderia até ter morrido em casa sem saber o que tinha. Fomos em uma dermatologista em São Vicente que disse para minha mãe que era uma simples dermatite, que iria conviver com isso o resto da vida e receitou medicação com corticoide, que ela nem pode mais tomar de tanto que receitaram. Em Santos, informaram que ela não tinha nada e que era tudo da cabeça dela. Fizeram encaminhamento até para o psiquiatra, dizendo que era doença psicossomática (quando os sintomas físicos se tornam consequência dos emocionais e psicológicos)", revela a filha Katiana Bispo dos Santos, servidora pública em São Vicente - é auxiliar de serviços básicos. A dermatologista em questão atendia pela Caixa de Saúde e Pecúlio dos Servidores Municipais da cidade, a qual pertence o convênio de Othonita. Não houve resposta por parte da Prefeitura sobre o assunto. Já em Santos, o atendimento em questão, também via convênio, aconteceu na Santa Casa de Misericórdia. Em nota, o hospital informou que a paciente passou em atendimento com o médico plantonista clínico no pronto socorro do local em 7 de outubro do ano passado, com hipótese diagnóstica de dermatite liquenoide, sendo encaminhada para a especialidade de Dermatologia. A instituição não teve retorno da paciente após este atendimento. Ao ser informada sobre a resposta, Othonita estranhou, por não se lembrar de nenhum diagnóstico assim, embora tenha ido muitas vezes à Santa Casa, segundo ela, em especial depois das 17 horas, quando o serviço de saúde da Caixa de Pecúlio encerra o expediente. Viagem e diagnóstico Diante de uma pequena melhora apresentada, Katiana recomendou que a mãe fosse para a Bahia visitar a irmã. O embarque para Salvador aconteceu em 2 de novembro, com a passagem comprada pela filha. "Passaram-se alguns dias e a pele dela voltou a escamar, só que bem mais forte. Logo se transformou em feridas, chegando ao ponto dela não conseguir tomar banho porque ardia. Comer também era difícil. Por isso a fraqueza. Os pés e as mãos sangravam muito. Até que ela passou por um clínico particular, que mandou minha mãe de imediato para uma dermatologista particular, que também constatou a gravidade", detalha. Vieram, então, a internação e a busca por vaga em um hospital especializado. Aposentadoria e remédiosEm meio a esse drama, Othonita se aposentou em 2021 como servidora pública da Prefeitura de São Vicente - era merendeira e, em razão de problema de coluna, passou a ser telefonista há 10 anos -, mas ainda não recebeu a rescisão nem o Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público), embora o benefício mensal esteja em dia. "Falei com um assessor do prefeito, que ficou de ver a respeito disso na próxima semana", conta a filha Katiana. "Precisava desse dinheiro para comprar medicamentos para a pele. Usei o dinheiro de uma rifa feita por minha filha (de um televisor) para isso", conta a aposentada. A loção hidratante que Othonita mais usa chama-se Pielsana. Cada frasco dura de dois a três dias. Sabonete também é especial também pela pele: de glicerina, da Granado. Quem tiver interesse em ajudar Othonita, pode entrar em contato com a filha Katiana pelo telefone (13) 98869-0683.