Vizinhos relembram o período em que o mercado funcionava, com bancas de frutas, peixes e produtos acessíveis, em São Vicente; “Dá dó”, afirma moradora (Alexsander Ferraz/ AT) Fechado e em estado de abandono há anos, o antigo Mercado Municipal de São Vicente, na Praça João Pessoa, no Centro, ainda frustra vizinhos e comerciantes, que cobram a reativação do espaço no litoral de São Paulo. A Prefeitura afirma que o projeto de concessão já foi publicado e que a abertura das propostas está prevista para 2 de junho. Por ora, quem passa pelo local convive com sinais de degradação, acúmulo de lixo e queda no movimento comercial no entorno. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Moradora do bairro há cerca de 20 anos, a cuidadora de idosos Rosemeire Alexandre, de 57, afirma que, atualmente, o Mercado é um “espaço perdido”. “Dá dó. Poderia ser aproveitado e reformado para nos beneficiar. Agora temos que ir para outros lugares, sendo que aqui tinha tudo”, diz ela, relembrando o período em que o mercado funcionava, com bancas de frutas, peixes e produtos acessíveis. A percepção é compartilhada por comerciantes da região. Há seis anos dona de uma loja no entorno, Karina dos Santos Abou Arabi, de 39, avalia que a reabertura do mercado pode ajudar a reaquecer o comércio local, que, segundo ela, está “morrendo”, com fechamento de lojas e queda de movimento. “A área está bem abandonada. Tem bastante lixo jogado, o que atrai roedores. A reabertura do Mercado ajudaria no movimento e na saída desse pessoal que fica fazendo sujeira”, opina. Projeto de concessão Em nota, a Prefeitura informou que o edital de concessão do Mercado já foi publicado. Prevê que a empresa vencedora fique responsável pela reforma, pela gestão e pela manutenção do espaço, com investimento estimado em cerca de R\$ 7 milhões. De acordo com a secretária municipal de Turismo, Juliana Santana, o projeto vai além da reabertura do Mercado: inclui também a recuperação do Parque Cultural Vila de São Vicente. Segundo ela, o objetivo é transformar o local em um polo de gastronomia, cultura e turismo, mantendo as características históricas do prédio, cuja fachada é tombada. A iniciativa faz parte do programa São Vicente de Cara Nova, que prevê a revitalização do corredor entre o Centro Histórico e a orla, por meio da requalificação de espaços públicos. “A expectativa é que todo esse eixo seja fomentado, se tornando um espaço que conte a história da Cidade”, explica Juliana. O modelo prevê concessão por 20 anos, com possibilidade de renovação, e retorno do investimento estimado em cerca de sete anos. Além da reforma, a empresa deverá garantir manutenção, segurança e promover atividades culturais. Prédio tem quase 300 anos Inaugurado em 1929, o Mercado Municipal de São Vicente se manteve por décadas como um dos principais pontos de abastecimento da Cidade, com venda de alimentos e produtos variados. O prédio, porém, é dois séculos mais antigo: construído em 1729, já abrigou a primeira sede da Câmara Municipal, a cadeia e o quartel. Nos últimos anos, o espaço perdeu sua função original, chegou a ser utilizado de forma provisória e acabou fechado. Em 2010, Mercado teve sua fachada tombada, mas se deteriora em São Vicente (Alexsander Ferraz/ AT) Tombamento Em 2010, o Mercado teve sua fachada tombada como patrimônio histórico pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico, Cultural e Turístico de São Vicente (Condephasv). Desde então, no entanto, acumula sinais de deterioração. Em 2023, a Prefeitura já havia indicado a intenção de conceder o espaço à iniciativa privada, após promover estudos de viabilidade econômica. Agora, com o edital publicado, a expectativa é de que o projeto finalmente avance.