[[legacy_image_355751]] A mãe de uma menina com 3 anos de idade e que tem uma síndrome rara está na luta para que a filha receba tratamento com canabidiol, óleo à base de cannabis, em São Vicente. Eloá Melo Alves tem Síndrome de Miller Dieke - que deixa o "cérebro liso" - e também autismo. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a mãe da menina, Elaine Cristina de Melo Nascimento, de 36 anos, Eloá, que é paciente do Sistema Único de Saúde (SUS), já fez diversos tratamentos desde que recebeu o diagnóstico da doença, em 2021, mas foi em agosto de 2023 que uma médica prescreveu o canabidiol para a menina. “Eu ganhei uma amostra grátis de um laboratório, e foi mais para testar. Foi um milagre em nossas vidas”, lembra. Elaine ainda conta que a filha tinha muitas convulsões, devido à síndrome, mas que, com a introdução do óleo, as crises diminuíram. “Era muito raro ela poder tomar banho, hoje ela pode. Mas antes, só podia passar um paninho. A parte cognitiva dela já está bem melhor também”, explica sobre os benefícios que o tratamento trouxe. “Ela convulsiona o tempo inteiro. Ela não pode ter contato com a água porque gosta tanto que o cérebro dela não consegue distinguir essa euforia e ela acaba convulsionando”, continua. O laudoO laudo médico obtido pela reportagem aponta que a síndrome causa epilepsia de difícil controle. Ele também destaca que a menina tem Transtorno do Espectro Autista (TEA). Por isso, Eloá apresenta atraso no desenvolvimento neurológico, na fala e linguagem. O documento ainda apresenta os medicamentos que Eloá faz uso diário e aponta a melhora significativa que a menina teve no comportamento e nas crises convulsivas após a introdução do canabidiol, o qual ingeria duas vezes por dia. ProcessoElaine entrou com uma ação contra a Fazendo Pública do Estado de São Paulo. No documento, obtido pela reportagem, é descrito que a fazenda se nega a providenciar o necessário para fornecer o medicamento à base da canabidiol, para controlar as crises diárias de convulsões e epilepsia. No documento ainda é informado, segundo a médica, que qualquer medicamento similar não é mais indicado para o tratamento. A profissional ainda informa que o medicamento deve ser administrado de forma contínua, pois a menina corre grave risco de sofrer danos irreversíveis. A mãe destaca que a Defensoria Pública tem dado todo o suporte necessário. Apesar disso, não consegue ter respostas do estado sobre a situação da filha. “Eu só preciso saber o que está acontecendo, porque eu não tenho resposta. Eu quero que eles me deem uma resposta do porquê eles não querem liberar o remédio da minha filha”. A vicentina alega que não tem condições de custear o remédio de forma particular, por isso recorre ao governo. Ela, que é mãe solo, precisou abdicar do trabalho para se dedicar às necessidades da filha. “Eu preciso de ajuda, que alguém grite por mim”. RespostasA Tribuna solicitou informações ao Governo Federal, que disse que, conforme a sentença do processo, "este é direcionado à Fazenda Pública do Estado de São Paulo. Por conseguinte, o Ministério não possui a competência para se manifestar, uma vez que o litígio não envolve a União". A Coordenadoria de Assistência Farmacêutica (CAF) do Estado de São Paulo informou que o medicamento importado canabidiol (CBD), de 6000 mg (100 mg/ml) - 60 ml, está em "processo de aquisição. Após o recebimento na sede da Secretaria de Estado da Saúde (SES), haverá a distribuição aos Departamentos Regionais de Saúde (DRSs), inclusive o da Baixada Santista. Assim que o medicamento estiver disponível, a paciente será comunicada".