Imagem mostra exame de raio-x e curativo em clavícula fraturada de bebê em São Vicente (Reprodução/Redes Sociais) A mãe do bebê que teve a clavícula deslocada durante o parto na Maternidade São José, em São Vicente, Litoral de São Paulo, foi reportada pela prefeitura ao Conselho Tutelar por sair do hospital sem receber alta médica. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nas redes sociais, os pais do menino nascido em 8 de julho manifestaram revolta com o atendimento recebido e alegaram negligência médica da equipe após a fratura. O pai do recém-nascido relatou que a mulher saiu do hospital sem alta médica em busca de atendimento para a criança. A Prefeitura de São Vicente disse para A Tribuna, em nota, que casos de evasão de menores são reportados ao Conselho Tutelar como medida de proteção de saúde, como uma medida para garantir que os direitos da criança e cuidados médicos sejam garantidos, conforme estabelece o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). A Administração ainda ressaltou que a Secretaria da Saúde acompanha o caso para dar o melhor atendimento à família e ao recém-nascido, e a Secretaria de Direitos Humanos, responsável pela gestão administrativa dos Conselhos Tutelares, também acompanha a ocorrência. Exame de raio-X mostra fratura em clavícula de bebê recém-nascido em São Vicente (Reprodução/Redes Sociais) O que aconteceu? Segundo os pais, a médica obstetra teria puxado a criança de forma muito brusca durante o parto, o que resultou na clavícula fraturada. O pai do recém-nascido relata não ter sido informado do ocorrido e, segundo ele, apenas no dia seguinte, o bebê foi submetido a um raio X, que confirmou a lesão. Ainda conforme o pai, o hospital não imobilizou o ombro do bebê e ofereceu apenas dipirona à criança, que era incapaz de ser amamentada por conta da dor. Ele e a esposa afirmam ter saído do hospital sem alta médica para buscar ajuda em outro local, onde o bebê passou por um ortopedista, que imobilizou o braço do recém-nascido e o encaminhou para um especialista pediatra. “É inaceitável que um hospital trate um recém-nascido com tamanho descaso. Exigimos justiça e mudanças urgentes para que outras famílias não sofram como nós sofremos”, diz. Em nota, a Prefeitura de São Vicente confirmou a lesão e afirmou que a distocia no ombro é um problema mecânico que acontece em 50% dos partos normais. A Administração alegou que assim que foi levantada a hipótese de que o bebê teria se machucado no parto, foi feito um raio-X para constatar a fratura e afirmou que, nestas situações, “não há necessidade de realizar exames adicionais”. Afirmou, ainda, que uma médica pediatra acompanhou todo o procedimento e informou os pais da criança sobre a necessidade de um tratamento ambulatorial. Segundo a Secretaria de Saúde, mesmo com essas informações e explicações sobre a necessidade de manter a internação na criança, os pais evadiram-se do hospital. Curativo no ombro de bebê que teve clavícula fraturada em parto em São Vicente (Reprodução/Redes Sociais) É uma fratura comum? O médico obstetra Carlos Alberto Politano, graduado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp) explicou à reportagem que a fratura de clávicula costuma ocorrer em fetos macrossômicos, ou seja, em bebês maiores. “Via de regra, quando ocorre, o obstetra fica com a suspeita e alerta o pediatra que irá recepcionar a criança ainda na sala de parto. O pediatra examina e pede um raio-x para confirmar ou afastar a hipótese diagnóstica”, explica o especialista. Desta forma, o médico não considera que houve, necessariamente, um erro médico do obstetra que atendeu a família. “Essa intercorrência ocorre e é considerada provável em fetos macrossômicos”, pondera. O obstetra também ressaltou que, caso a fratura seja confirmada pelo exame, é recomendada a imobilização do membro fraturado para garantir uma boa recuperação, sem sequelas ao paciente.