O jacaré foi resgatado saudável (Divulgação/GCM) Um morador de São Vicente, no litoral de São Paulo, foi surpreendido ao encontrar um visitante inesperado no quintal de sua casa no último domingo (1º): um jacaré. O animal foi encontrado do lado de fora da residência, que fica na Avenida São Paulo, no bairro Irmã Dolores. Conforme apurado por A Tribuna, a equipe da Inspetoria Ambiental da Guarda Civil Municipal de São Vicente (GCM-SV) foi chamada pelo Centro de Comunicação da GCM (Cecom-GCM) para realizar um resgate do animal. Como foi Segundo a Prefeitura, o morador percebeu a presença do jacaré dentro de seu quintal e imediatamente ligou para o telefone 153, número do Centro de Controle Operacional (CCO). Assim que chegou no local, a equipe ambiental identificou o animal silvestre como um jacaré-de-papo-amarelo (de nome científico Caiman latirostris), realizando o resgate e, como foi observado que o réptil estava saudável, ele foi solto em uma área do Rio Boturoca. De acordo com a Administração, o réptil crocodiliano é da família Alligatoridae e gênero Caiman. Essa espécie é altamente ligada à água, por isso acabam habitando uma variedade de ambientes como pântanos, rios e riachos, com forte associação à vegetação aquática densa. O que fazer? Ao encontrar um animal deste, o biólogo Ricardo Samelo recomenda que a população mantenha distância. O especialista destaca que o jacaré possui uma mordida poderosa, capaz de partir o casco de uma tartaruga com facilidade, e ataca ao se sentir ameaçado. “Se ele estiver em uma área natural, o ideal é observar apenas, sem tentar interagir ou se aproximar muito. Em casos em que o animal estaja em área urbana como ruas, calçadas, praças, ou até mesmo dentro de residências, o correto é acionar imediatamente um serviço de resgate”. Samelo também ressalta a importância de não deixar que animais domésticos como cães e gatos se aproximem do jacaré. Entretanto, o especialista também explica que estes animais oferecem mais riscos quando estão caçando em ambiente natural. Analisando as imagens, o biólogo acredita que o jacaré seja jovem adulto. “Essa espécie apresenta corpo robusto e ‘focinho’ curto e largo. Atingem em média 2 metros de comprimento e pesam entre 50 e 70 quilos, mas já foram registrados exemplares com mais de 3 metros”. “Quando filhotes, se alimentam também de invertebrados, como insetos e moluscos, ajudando a controlar a população destes animais, incluindo o controle de caramujos envolvidos no ciclo de doenças que acometem seres humanos, como a barriga-d'água (esquistossomose). Estudos demonstram aumento no número de casos desta doença em áreas onde o jacaré foi eliminado”. Sendo um animal de ampla distribuição no território nacional e também em outros países da América do Sul, a presença da espécie está relacionada a áreas alagadas de água doce. O biólogo também informa que também podem viver em ambientes de água salobra e salgada, como os manguezais, o que torna a sua presença marcante em áreas costeiras como as encontradas na Baixada Santista. “É comum associar os jacarés ao Pantanal e Amazônia, mas a nossa região conta com este representante. Matérias como esta, mostram a rica biodiversidade da Baixada Santista e da Mata Atlântica em geral, ressaltando a importância que envolve a preservação do nosso bioma”, explica. O especialista também diz que a espécie em questão não apresenta status que indica ameaça de extinção, mas, especificamente no estado de São Paulo, é descrita como vulnerável. “Fico feliz em saber que este exemplar foi capturado e devolvido à natureza, em muitos casos o animal acaba sendo morto pela população”. Caso seja necessário acionar o resgate de animais silvestres ou marinhos, a Prefeitura recomenda que o morador chame a GCM pelo telefone 153.