Um morador de São Vicente reclama da demora para conseguir uma colonoscopia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O engenheiro aposentado Rogério Luiz Conze Fernandes de Oliveira, de 70 anos, diz esperar há um ano e sete meses. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Uma médica da rede pública solicitou o exame devido à persistência de problemas gastrointestinais que não foram identificados em endoscopia, ultrassonografia e tomografia. “Eu continuo acordando às três, quatro horas da manhã. Não sei se é fígado, se é intestino. A médica falou: o próximo exame é colonoscopia”, afirma, para declarar que seu quadro não se agravou em decorrência do uso de “medicação forte”. O aposentado foi atendido na Unidade Básica de Saúde (UBS) Central, na Vila Cascatinha, e no complexo de saúde, no Centro, mas afirma que não obteve data prevista para a colonoscopia. “Eles são muito francos. Falam que tem mais de 500 pessoas aguardando desde 2023. É uma realidade, não é desentendimento. Eles não atendem a demanda”, comenta. Oliveira alega não ter como pagar pelo exame. “Uma colonoscopia custa cerca de R\$ 1,5 mil. Eu sou aposentado, não tenho como arcar com esse valor”, justifica. O aposentado relembra que sua mulher morreu após enfrentar dificuldades no acesso à saúde durante a pandemia. “Ela teve que esperar um ano para fazer cirurgia, e houve metástase. Então a gente fica preocupado.” Prefeitura A Secretaria de Saúde de São Vicente informou que a colonoscopia é considerado um exame de alta complexidade e depende das cotas reservadas pelo Governo do Estado, por meio do Departamento Regional de Saúde da Baixada Santista (DRS IV). De acordo com a pasta, a oferta estadual tem sido insuficiente para atender à demanda, o que impacta diretamente no tempo de espera dos pacientes. A Prefeitura afirma que o agendamento segue critérios de regulação assistencial, com respeito à ordem de solicitação e prioridade a casos com maior suspeita oncológica (de câncer), conforme protocolos do SUS. Para tentar reduzir a fila, a secretaria informou que está preparando uma licitação para contratar um serviço especializado. A secretaria orienta que pacientes procurem a unidade de saúde de referência — a mais próxima de onde moram — em caso de agravamento dos sintomas, para reavaliação e possível reclassificação de risco. Estado O Departamento Regional de Saúde informou que Rogério Oliveira foi inserido na regulação de vagas mediante cadastro de demanda por recurso e que o agendamento de colonoscopia é feito pelo Município. “O DRS disponibiliza vagas aos municípios, que são os responsáveis pela ordem das filas, conforme urgência de cada caso”, diz, em nota. O Estado informa que as filas de espera para exames, atendimentos, cirurgias e procedimentos são descentralizadas, mas a atual gestão trabalha para identificá-las e unificá-las. “Com foco na melhoria da qualidade do atendimento e na redução do tempo de espera”, o Governo Estadual menciona a Tabela SUS Paulista, para complementar o valor pago por procedimentos feitos no Sistema Único de Saúde.