Arnaldo Blume é controlador de acesso do Pronto-Socorro Central e na segunda-feira, levou soco (Alexsander Ferraz) O controlador de acesso Arnaldo Blume, agredido pelo cunhado do vereador de São Vicente Tiago Peretto (União), busca respostas para o que houve na última segunda-feira, no Pronto-Socorro (PS) Central da Cidade. Mas, em entrevista para A Tribuna, ele cobra mais respeito para os profissionais que atuam nas unidades de saúde. “Isso poderia ter acontecido antes, estava meio que ‘anunciado’. Alguns munícipes também não respeitam os funcionários que trabalham na saúde. São constantemente ofendidos, são maltratados, porque as pessoas acham que têm que ter privilégios”, diz. Segundo ele, por volta das 12h40, o primeiro assessor de Peretto chegou ao local para ir ao primeiro andar. Blume salienta que vereadores sabem que seus assessores não têm autorização para acessar, de forma irrestrita, as dependências de um pronto-socorro. “Informei esse primeiro assessor, que pegou o celular e ligou para o vereador. Logo em seguida, o Tiago Peretto chegou com mais um assessor, que fazia imagens do local. O vereador foi até o portão de acesso, e eu abri para ele entrar. Quando estava passando, fui logo fechando o portão para os assessores não entrarem. Então, ele falou algo como ‘Você vai fechar o portão em cima de mim?’. E me deu um tapa no ombro. Também falou: ‘Qualquer coisa, chama a polícia’. De fato, não me agrediu fisicamente, mas só o fato de promover o desrespeito a uma orientação que eu dei já é uma forma de desrespeito”, afirma. Blume continua o relato: “Passou o primeiro assessor, e o vereador chamou os assessores: ‘Vem cá, pode vir’. Aí, entraram o primeiro e o segundo, que estava gravando. Nessa hora, levei minha mão à câmera do celular, para impedir que ele gravasse. Ainda falei: “Você não pode gravar aqui, além de que não autorizo o uso da minha imagem’. Todo mundo sabe que, em dependência pública, você só pode filmar mediante autorização. Eu encostei no celular, mas não tinha a intenção de tomá-lo”. Até que veio a agressão inesperada. “Quando me levantei para impedir a filmagem, ele (o cunhado do vereador, Raphael Dias Antonio) me deu um empurrão forte. Me desequilibrei, e o portão da catraca soltou. Tentei me equilibrar e, na hora que estava tentando me restabelecer, recebi o soco. Caí no chão e fiquei alguns segundos desnorteado por conta da pancada. Levantei com a ajuda de uma colega. Não esperava aquilo”, sintetiza. Prática comum Blume conta que, no sábado anterior à agressão, um dos assessores de Peretto havia ido ao local e sido avisado de que não poderia entrar nas áreas reservadas do PS. “Eles (vereadores) têm uma frequência lá, porque as pessoas ligam e vão lá. São assim, ‘saem entrando’. mas o jeito dele (Peretto) é assim. Ele é espalhafatoso. É quem vai lá com mais frequência”, afirma. O controlador de acesso recebeu pontos na boca e deve passar por reavaliação médica amanhã, para saber se já voltará ou não ao trabalho. A Tribuna contatou a assessoria do vereador Tiago Peretto, sem resposta até o término desta edição.