De acordo com uma das vítimas, a administradora da comunidade do BTS se apresentava como uma jovem de 26 anos, que trabalhava na área da saúde (Arquivo pessoal) Um suposto golpe envolvendo a venda de itens colecionáveis e ingressos do grupo de k-pop BTS já causou prejuízo superior a R\$ 90 mil e atingiu mais de 100 pessoas no Brasil e no exterior. O caso teve início em grupos de WhatsApp e redes sociais, e ganhou novos elementos com relatos detalhados de vítimas sobre a dinâmica do esquema, associado a menor da Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo denúncias, a administradora do grupo era uma adolescente de 17 anos, que mora em São Vicente, no litoral de São Paulo, e se aproveitou de um grupo de colecionadores para aplicar fraudes envolvendo fotocards, álbuns e ingressos do BTS. Inicialmente, a menor se apresentava com o nome dela, mas também se identificava como Penélope, e chegou a criar uma identidade paralela para justificar suas ações. Confiança como estratégia De acordo com uma das vítimas, a administradora se apresentava como uma jovem de 26 anos, que trabalhava na área da saúde. Ela utilizava imagens de caixas fechadas e supostos envios para convencer os compradores de que os produtos existiam. “Ela mandava fotos de caixas, mas depois percebemos que eram falsas. Esse mercado funciona muito na base da confiança, sem nota fiscal, porque são compras internacionais feitas por pessoa física. E foi isso que ela explorou”, relatou uma das pessoas prejudicadas. As primeiras transações foram concluídas, criando uma sensação de credibilidade, mas os últimos compradores começaram a perceber que os itens não chegariam. “Parece uma pirâmide: os primeiros recebem, e os últimos não recebem nada”, afirmou uma vítima. Cronologia do esquema O golpe teria começado em agosto de 2025, quando a administradora entrou em contato com jovem de 24 anos, para um trabalho de design e, posteriormente, a convidou para atuar como staff da comunidade. Inicialmente, o grupo se dedicava à venda de itens nacionais, mais simples e acessíveis, enquanto a confiança dos compradores era construída aos poucos. A comunidade cresceu por meio de anúncios no X (antigo Twitter) e outros grupos de vendas, com as primeiras compras sendo entregues corretamente, inclusive por outros membros chamados de “GOs”, o que gerou credibilidade e segurança para novas transações. A administradora se apresentava como experiente e com acesso a itens internacionais, incentivando ainda mais a participação de novos compradores. O grupo, então, expandiu as vendas para itens internacionais, como photocards e álbuns, e os compradores começaram a investir valores maiores. Os pagamentos eram realizados via Pix ou links de cartão, sem emissão de nota fiscal, prática comum nesse tipo de mercado informal. A partir de outubro de 2025, começaram os atrasos recorrentes nas entregas. A administradora enviava fotos de caixas fechadas como suposta prova, mas os produtos não chegavam, e justificativas continuavam sendo apresentadas. No início de 2026, os compradores passaram a exigir comprovações reais, como fotos abertas e vídeos, às quais a administradora passou a se esquivar, levantando as primeiras suspeitas de fraude. Nos meses seguintes, a administradora teria adotado estratégias para ganhar tempo, como sorteios e interações no grupo para distrair os membros, além de manter contato individual com algumas vítimas para reforçar a confiança, enquanto as vendas continuavam mesmo com entregas pendentes. Na fase crítica, as vítimas começaram a cobrar publicamente reembolsos, com mensagens urgentes solicitando a devolução de valores e ameaças de contestação bancária por parte de alguns compradores. A administradora do grupo de itens do BTS postava fotos das mercadorias que supostamente seriam enviadas (Arquivo pessoal) Relato da staff A jovem de 24 anos, que atuava como staff da comunidade e preferiu não ser identificada, relatou que inicialmente ajudava na operação do grupo, respondendo compradores, anunciando produtos e controlando planilhas, mas não tinha acesso à parte financeira central. Segundo ela, a administradora sempre mentia sobre a existência dos produtos e sobre dados pessoais. “Descobrimos por conta própria que ela mentia sobre tudo: nome, idade, relacionamento, gravidez, profissão. Eu fui acusada injustamente, mesmo tendo perdido cerca de R\$ 4 mil”, disse. A staff afirma que tentou reembolsar compradores com recursos próprios e manter a transparência enquanto pressionava a administradora a revelar a verdade. “Não quero que ninguém saia prejudicado, por isso continuo tentando resolver algumas situações por conta própria”, declarou. Movimentação financeira e investigação Há indícios de movimentações para contas internacionais, além do uso de contas de terceiros. Parte das vítimas já registrou boletins de ocorrência e está reunindo provas, como prints, comprovantes e registros de conversas. O caso deve ser levado ao Juizado Especial Cível ou à Vara Cível caso tentativas de negociação extrajudicial não tenham sucesso. A investigação ainda busca esclarecer todas as responsabilidades e identificar possíveis cúmplices. Desdobramentos O caso alerta sobre os riscos de transações em mercados informais de colecionadores, especialmente envolvendo jovens e plataformas digitais. As vítimas afirmam que a exposição financeira e emocional causada pelo golpe foi significativa, com algumas pessoas chegando a sofrer ameaças e insultos, além do prejuízo econômico. Como evitar cair em golpes? Desconfie de preços muito vantajosos Valores abaixo do mercado podem ser usados para atrair vítimas Evite pagamentos sem garantia Prefira plataformas com intermediação, proteção ao comprador ou contrato formal Exija provas reais Fotos com identificação, vídeos em tempo real ou chamadas podem ajudar a validar a existência do produto Pesquise a reputação Procure relatos fora do grupo, em outras redes e com compradores antigos Cuidado com confiança 'rápida demais' Golpistas costumam construir credibilidade antes de aplicar o golpe maior Não concentre valores altos Evite fazer várias compras ou pagamentos grandes para o mesmo intermediador Guarde todos os comprovantes Prints, conversas e recibos são essenciais em caso de denúncia