A Garganta do Diabo, assim conhecida, está localizada entre a Ilha Porchat e o Parque Xixová-Japuí (Reprodução/TV Tribuna) Uma pequena embarcação com sete pessoas naufragou na noite de domingo (29), na Garganta do Diabo, em São Vicente. Cinco vítimas foram resgatadas com vida e duas ainda estão sendo procuradas. Conheça mais desse local e entenda porque é perigoso. A Garganta do Diabo, como é conhecida, está localizada entre a Ilha Porchat e o Parque Xixová-Japuí, sendo a fronteira entre a Baía de São Vicente e a de Santos. O local apresenta naturalmente correntes intensas, por ser uma região de estrangulamento do mar. O local é considerado perigoso devido às fortes correntezas. Há, inclusive, lendas sobre naufrágios supostamente ocorridos na região. Alguns historiadores dizem que, devido à existência de um canal mais profundo nesse trecho, alí era passagem para as caravelas de Martim Afonso de Souza, que fundou São Vicente, em 1532. O apelido de 'garganta' seria justamente pelo fato de o mar 'engolir' quem passasse por ali. Alguns surfistas, porém, que já conhecem a movimentação das ondas e das marés, procuram a região para praticar o esporte. Razão do perigo Durante o ciclo da maré, a água enche a Baía de São Vicente no nível máximo, conhecido como maré cheia, pois necessita passar através daquela região. Isso ocorre novamente quando a baía se esvazia durante a baixa-mar, alterando apenas a direção da corrente. É isso que explica o professor de Oceanografia Física do Instituto do Mar, da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp) do campus Baixada Santista, Wandrey de Bortoli Watanabe. Ele também ressalta que as correntes são mais intensas quando a maré está na enchente ou na vazante, e não na maré alta ou baixa. Outra questão que deve ser notada é quanto ao regime de ondas e a maneira que elas se comportam quando se aproximam da Baía de São Vicente. Quando as ondas vêm do mar aberto e se aproximam da costa, elas podem ficar mais altas. Isso pode se dar devido à mudança de profundidade que vai ficando mais rasa em direção à Baía de São Vicente, ou ao afunilamento, que favorece o aumento da altura das ondas que estão chegando do mar aberto. Por essas questões, o local é de uma região de hidrodinâmica (movimento da água) intensa, podendo ser um ponto aproveitado por surfistas experientes. Mesmo com o tempo bom, é possível as ondulações estarem intensas. Para não correr riscos, o coordenador dos cursos de Oceanografia, afirma “é importante sempre estar ciente das previsões de maré e de ondas, principalmente quando há previsão de entradas de frente fria ou ressacas” O lugar é uma região de passagem, de ligação do estuário com o mar aberto. “Não passar zera o risco, mas muitas vezes não é uma opção. Se precisar passar, é importante estar ciente das condições”, reafirma Wandrey.