[[legacy_image_316652]] O Centro de São Vicente estava tranquilo nesta segunda-feira (4), dois dias após o incêndio do último sábado. Porém, as portas fechadas na Rua Martim Afonso, acompanhadas de forte cheiro e fumaça, indicam que o incômodo pelo acontecimento nas lojas Renascer e Mundial persiste. As marcas também estão presentes em casas da Viela Amorim, com entrada pela Rua XV de Novembro. São 14 residências, parte das quais aparenta risco estrutural. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Estou esperando o pessoal da Defesa Civil vir, para fazerem a liberação, ver a estrutura da casa. Porque está tudo rachado. A parede do fundo da loja ameaça cair para o lado de cá. Se for assim, além da minha casa, vai afetar outra, que é geminada. Mas tem a da Mundial também, com risco de tombar. Hoje (segunda) de manhã, estava saindo fogo, e tiveram que jogar uma água”, relata a comerciante Lilianberg Santos, proprietária de um box na Loja Renascer. Ela, que mora de fundos para a loja, está abrigada com o marido e o filho na casa de amigos. Ela estima em R\$ 100 mil o prejuízo com o incêndio na Renascer. “Tinha acabado de comprar mercadoria para o final do ano, porque tem capinha, película, celular para venda... Fora que tinha acabado de contratar uma funcionária nova. Foi o primeiro dia dela, e já tive que dispensar”, lamenta. [[legacy_image_316653]] Temor: aproveitadoresVizinha da Viela Amorim, a balconista Beni Cruz, que mora em uma casa com o marido e o sobrinho, acompanha, apreensiva, a situação da parede de fundos da Mundial. Sua pequena casa, “com um aluguel que não é barato”, pode ser atingida num eventual colapso. Sob incerteza, lamenta a presença de “aproveitadores”, à espreita para atacar casas desguarnecidas. “Estou aqui e não estou, na verdade. Trabalho numa óptica, mas me dispensaram para vir aqui. Já tinha gente desconhecida rondando. Tem pessoas que se aproveitam. Mas é preciso paciência”, diz. Enquanto a Reportagem estava no local, uma guarnição dos Bombeiros visitou a Renascer. O intuito seria jogar um pouco de água e atenuar o efeito da fumaça. [[legacy_image_316654]] Recado de DeusDona de uma loja de roupas infantis ao lado da Mundial, Raquel Ovídio Milsoni tem na memória as cenas de mais um incêndio vivido de perto no Centro vicentino — o outro foi na Lojas Marisa, em julho do ano passado. “Tenho conversado com um amigo para entender o que Deus está tentando dizer para a gente. Porque é a segunda vez em menos de um ano, de um lado e do outro, e a nossa não teve nada. Então, na realidade, é angustiante ficar vendo.” Prefeitura respondeEm resposta à Reportagem sobre a situação das lojas interditadas e das moradias da Viela Amorim, a Prefeitura de São Vicente informa, por meio da Defesa Civil, que houve rescaldo no local no sábado e no domingo, juntamente com o Corpo de Bombeiros. A Secretaria de Licenciamento já notificou os proprietários das duas lojas a apresentar o laudo de inspeção predial. Esse documento, elaborado por um engenheiro, vai apontar se a estrutura foi abalada e será preciso demolição. Ainda conforme a Prefeitura, os resíduos atingidos pelo fogo serão retirados pelos donos dos estabelecimentos, que terão que apresentar um plano de trabalho. A coleta urbana não recolhe esse entulho. Para os comerciantes pedirem à Prefeitura o alvará de funcionamento após o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), é necessário o Via Rápida Empresa, em parceria entre o Município e a Junta Comercial.