Feira do Rolo acontece no Samarirá, em São Vicente (Arquivo pessoal) No dicionário, a palavra rolo tem como sinônimos confusão e bagunça. Na prática, é exatamente com isso que moradores do bairro Samaritá, em São Vicente, no litoral de São Paulo, são obrigados a conviver todos os domingos. A chamada Feira do Rolo, na Rua Mecanizada e adjacências, tem uma circulação de pessoas que não condiz com a realidade do local. E ali, segundo denúncias, são comercializados produtos de origem suspeita e até animais silvestres em gaiolas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Há cerca de um mês e meio, a chamada Feira do Rolo passou a ser realizada em nosso conjunto habitacional, que é composto por aproximadamente 300 casas geminadas. Todos os domingos a feira acontece no local, mas os transtornos começam já no sábado à noite, quando se inicia a 'organização' do evento”, conta uma moradora, que não quis ser identificada, por questão de segurança. Segundo ela, a rotina dos moradores se transforma em um verdadeiro caos devido à total desorganização. Carros ficam estacionados em frente às casas, impedindo a entrada e a saída dos veículos. Até mesmo caminhar pela rua se torna difícil, pois há carros, pessoas e diversos objetos espalhados pelas calçadas, impossibilitando a circulação. “A feira não é regularizada e, além disso, são comercializados diversos produtos de origem ilícita. Também já foram vistos animais da fauna silvestre, como tartarugas, armas de pressão, espingardas e outros itens. Há ainda pessoas tentando complementar a renda com a venda de alimentos preparados e comercializados sem condições adequadas de higiene e refrigeração”, argumenta a moradora. A mulher cita que o valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) pago pelos moradores da área varia, em média, entre R\$ 250,00 e R\$ 300,00 – houve um aumento superior a 150% no valor, anteriormente na média de R\$ 90,00. “Mesmo assim, convivemos com uma feira irregular que nos impede de exercer o direito de ir e vir”, queixa-se a moradora. Outro lado Em nota, a Prefeitura de São Vicente afirma que “a denominada 'feira do rolo' não possui autorização ou regulamentação por parte do município. A Administração Municipal esclarece que não promoveu a transferência da atividade para a Rua Mecanizada, no bairro Samaritá, e realiza ações de fiscalização para coibir comércios irregulares em diferentes pontos da cidade”. A Prefeitura diz, ainda, que “as denúncias referentes à situação relatada serão encaminhadas às secretarias competentes para apuração e adoção das medidas cabíveis. As equipes municipais atuam por meio de fiscalizações de rotina e a partir de denúncias da população, observadas as competências de cada órgão”. A Administração Municipal “reforça que não há alvará ou autorização para a realização da atividade no local. Em casos de comércio irregular em áreas públicas, podem ser adotadas as medidas administrativas previstas no Código de Posturas do Município”. A nota termina explicando que, “em relação às reclamações sobre estacionamento irregular, os munícipes podem acionar a fiscalização por meio do telefone 0800-771-5194 ou pelo WhatsApp (13) 3466-5542, para que as equipes realizem as providências cabíveis” e que “as denúncias relacionadas à comercialização de produtos ilícitos, posse de armas, comércio irregular de animais silvestres ou outras situações que configurem infrações penais devem ser encaminhadas às forças de segurança competentes, responsáveis pela apuração e adoção das medidas previstas na legislação”.