[[legacy_image_255054]] Responsável por servir 1,8 mil refeições — 300 cafés da manhã, 1,2 mil almoços e 300 jantares —, de segunda a sexta-feira, a transferência da unidade do Bom Prato do Centro de São Vicente para a comunidade México-70 tem causado controvérsia. Comerciantes veem a mudança como positiva, mas quem depende das refeições servidas no local lamenta a troca. E o número de refeições diárias será reduzido temporariamente. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A Reportagem esteve na manhã desta terça-feira (21) na Rua Ipiranga, onde a unidade do Bom Prato funcionava desde dezembro de 2006. Houve frequentadores mostrando surpresa com o fechamento. “Estava acostumado a vir aqui. Não vim na segunda, mas vim hoje e vi fechado. Almoço aqui e em Vicente de Carvalho”, conta o aposentado José Severino da Silva. A dona de casa Maria das Graças Ranad contou que “estava a caminho do Hospital São José para fazer um exame. Sempre que precisava, vinha aqui, porque é uma boa opção”. O espaço também recebia pessoas em situação de rua. “A gente vem comer todos os dias aqui. Tomamos café, almoçamos e jantamos. Se não tiver, vai ficar ruim para todo mundo. Tinha muitos noias (viciados), é verdade. Mas isso atrapalha a gente também, porque nem todo mundo que está na rua é ladrão”, pontua Samuel Roque Ferreira, há dez anos nas ruas. Comerciantes Comerciantes da Rua Ipiranga expressam sensação de alívio com a transferência do Bom Prato. Eles alegam problemas ocasionados por quem vive nas ruas, como furtos, consumo de drogas e intimidação de pedestres e motoristas. “Graças a Deus, o Bom Prato foi embora daqui. Estava virando uma cracolândia. Havia muitos usuários de drogas, fumavam maconha na frente das lojas. Pode reparar: está tudo fechado, porque as pessoas têm medo de passar por aqui”, aponta Araci de Lima Matos Rodrigues, dona de uma banca na rua. O comerciante Miguel Augusto Fanhani, que tem uma loja de assistência técnica, acredita que o Centro de São Vicente não comporta uma unidade do Bom Prato nos moldes atuais. “Na minha opinião, o Bom Prato não deveria ser colocado no Centro da Cidade. É uma região em que a pessoa vem para gastar, e não se alimentar ali. Ela deve ser na periferia, onde as pessoas realmente necessitam.” Associação ComercialO pedido para a transferência do Bom Prato partiu da Associação Comercial de São Vicente (ACSV), como confirma o presidente, Alcides Antonelli, em nota. Segundo a ACSV, a Rua Ipiranga “deixou de ser um ponto comercial referencial por toda a quadra, com vários imóveis comerciais desocupados, em virtude do número de pedintes, abordando clientes e lojistas, ocasionando prejuízos aos comerciantes, desemprego e fechamento de empresas”. O Bom Prato, diz, deve estar “em bairros periféricos, onde há pessoas em vulnerabilidade social e próximo a desempregados”. Prefeitura A Prefeitura afirma que “a mudança de local do Bom Prato faz parte de uma estratégia conjunta com o Governo do Estado, para levar o restaurante para regiões com vulnerabilidade social e insegurança alimentar”. A Prefeitura informa que o contrato com a ONG que gerenciava o Bom Prato do Centro foi encerrado, e uma nova organização assumirá o serviço. “A nova unidade já está funcionando na Rua do Canal, 170 (antiga Etecri do México-70). A partir desta semana, passam a ser distribuídas 300 refeições por dia através do Bom Prato Móvel”. Estima-se que, em 120 dias, a obra no local termine para a plena retomada do Bom Prato, com cerca de 1,8 mil refeições fornecidas por dia. Estado De acordo com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, os usuários do Bom Prato que frequentavam a unidade do Centro poderão se dirigir à unidade Quarentenário (Rua Tupã, 421). “O Centro de São Vicente também dispõe de estrutura de refeições e alimentação a preços populares variados, incluindo o Centro Pop, unidade de referência para a população em situação de rua, que serve café da manhã diariamente”, reforça a pasta, em nota.