Santo André de Soveral (à esq) dedicou toda a sua vida a missão de compartilhar a sua fé, chegando a mudar-se para o nordeste brasileiro a fim de catequizar a região durante a colonização portuguesa (Divulgação / Igreja Católica) Santo André de Soveral, padre vicentino que dedicou sua vida a pregar o cristianismo, é, talvez, uma figura desconhecida do publico em geral. Mas ele é reconhecido pela Igreja Católica como santo e como mártir por ter se recusado a fugir durante a invasão holandesa e continuar suas orações pelas vítimas dos soldados. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! André de Soveral nasceu em 1572 em São Vicente, apenas 40 anos depois da fundação da Cidade. Filho de pais portugueses católicos, André recebeu uma educação cristã e especula-se que foi discípulo do padre José de Anchieta, jesuíta e dramaturgo que viveu parte da vida em São Vicente. Ao final de seus estudos, por volta da década de 1590, Soveral trilhou rumo ao nordeste brasileiro, passando por Pernambuco e Rio Grande do Norte, com a missão de catequizar a região. Sua missão de anos o levou até a cidade de Cunhaú, no Rio Grande do Norte, onde permaneceu até 1645, ano de seu assassinato. Nesta época, ao mesmo tempo em que os colonos portugueses migravam para investir na catequização do nordeste brasileiro, a região também sofria com a investida de invasões promovidas pela França e pela Holanda. O avanço brutal dos invasores os levou até Cunhaú, onde o padre vicentino evangelizava na cidade. Em julho de 1645, a incursão holandesa realizou um terrível ataque na cidade norte-rio-grandense, que resultou na morte de inúmeras pessoas. Entre os ataques, um cerco a igreja em que o padre André de Soveral e outros fiéis celebravam uma missa. Apesar do temor que os invasores pudessem causar, é dito que Soveral e os fiéis continuaram sua celebração, cantando e orando. Um segundo martírio viria a acontecer em 3 de outubro do mesmo ano, desta vez em Uruaçu, Rio Grande do Norte. Ao todo, as duas incursões causaram por volta de 150 mortes, porém apenas 30 corpos, entre eles o de André de Soveral, puderam ser reconhecidos. Beatificação O padre André de Soveral e os demais mortos nos dois massacres foram declarados mártires e beatificados pela Igreja Católica, pelo papa João Paulo II, em 2000, e canonizados pelo papa Francisco, em 2017, por terem sacrificado sua vida em troca de continuar a exercer sua fé.