[[legacy_image_342312]] A Prefeitura de São Vicente suspendeu o transporte que levava crianças e adultos com deficiências visuais para o Lar das Moças Cegas, em Santos. Conforme apurado por A Tribuna, as crianças estão há mais de um mês sem ir à escola. Alessandra Fonseca Teixeira Silva, de 34 anos, é manicure e mãe de uma aluna de 13 anos, que é deficiente visual. De acordo com a mulher, no ano passado havia duas vans que levavam as crianças para o lar, uma passava pela Área Insular e a outra pela Área Continental. Porém, em 2024, elas foram substituídas por um único ônibus, que passa pelos dois bairros e isso se tornou um problema. Com mais crianças para transportar, elas estavam chegando duas horas atrasadas ao lar, o que fez com que a instituição decidisse suspender as aulas por tempo indeterminado. A aluna tem aula de manhã em uma escola municipal de São Vicente e, em seguida, deveria ir para o lar, que é o ambiente especializado em ensiná-la da melhor forma possível. “Lá ela aprende a ter liberdade, a fazer um café ou comida, além de aprender braile também. Como ela não está indo, está sendo muito prejudicada.”, relatou Alessandra. A mãe da estudante afirmou que já entrou em contato com a Prefeitura, pois ela quem fornece o transporte, mas a resposta foi que eles estão resolvendo. Além disso, Alessandra contou ainda que a filha está tendo que ir para o salão em que a mãe trabalha e ficar lá durante o período da tarde, já que não está tendo aula. “Ela fica sentada em uma cadeira a tarde das 14 horas até as 18, esperando-me terminar meu trabalho, sendo que ela deveria estar na escola, aprendendo algo”, contou a mãe. O que diz o Lar das Moças Cegas?Em nota para A Tribuna, a instituição reforçou o relato da mãe sobre a mudança dos transportes na mudança do ano e reforçou que a alteração fez com que os alunos passassem muito tempo dentro do veículo, causando estresse e chegando atrasados na aula. Além disso, o lar disse também que “sem contar que há entre eles, diabéticos e dependentes de hemodiálise. Tal situação favorece intercorrências que podem se tornar graves, além de, por conta dos atrasos em que chegam na escola, acabam prejudicando a organização da mesma e o processo de aprendizagem dos demais alunos”. Ainda em nota, o lar afirmou que as aulas estão suspensas desde o dia 29 de fevereiro e que entrou em contato com autoridades de São Vicente, mas nada foi feito. “Lamentavelmente, a instituição foi obrigada a suspender os atendimentos dos munícipes de São Vicente, pois os alunos estavam estressados, inconformados e revoltados com a situação. O Lar das Moças Cegas entende que todos os alunos merecem atendimento pautado nos padrões aceitáveis quanto ao respeito que merecem, e não de forma desumana, como estava ocorrendo. O Lar das Moças Cegas sempre fez contato sobre o assunto com autoridades e políticos da cidade, sem, no entanto, obter qualquer devolutiva”. A Tribuna entrou em contato com a Prefeitura de São Vicente para um posicionamento sobre o caso, porém não obteve retorno até a publicação da matéria.