Nilton diz que enfrentou muitos preconceitos (Arquivo pessoal) Apaixonado por balé desde criança, Nilton Costa da Silva, de 56 anos, realiza seu sonho de ser professor dando aulas de dança e alongamento para crianças e idosos da Área Continental de São Vicente, cidade onde mora e também desempenha o papel de coletor de lixo. Ele se apresenta como ‘gari bailarino’. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Desde jovem, ainda quando morava no Rio de Janeiro, Nilton sempre nutriu um amor secreto pelo balé. Porém, em uma época e lugar onde os estereótipos de gênero e a rigidez das expectativas sociais predominavam, ele enfrentou muitos desafios. “Queriam que eu fosse para o karatê e, por dentro, eu chorava em silêncio. Eu sabia que não era aquilo que eu queria, sabia que havia um bailarino dentro de mim, e eu queria poder colocar isso para fora”, relembra. Nessa época, ele assistia a filmes de dança e se inspirava neles, até que decidiu ir às aulas sem que ninguèm soubesse. Nilton lembra que sofreu muito preconceito até mesmo dentro de casa, já que os pais não aceitavam sua escolha. Mesmo assim, desistir nunca foi uma opção para ele. Seu esforço foi reconhecido quando, aos 16 anos, sua mãe viu pela primeira vez uma apresentação sua na escola e, desde então, percebeu que o filho era de fato um bailarino. Por volta dos 19 anos, Nilton veio para Baixada Santista morar com seu pai, e tentar construir uma vida aqui. Mesmo com as responsabilidades da vida adulta, nunca esqueceu sua paixão pela dança. Entre o final da década de 1990 e o início dos anos 2000, ele passou em um concurso público e se tornou coletor de lixo em São Vicente. Na Baixada Santista, ele se casou e teve dois filhos. Segundo ele, até sua família sofreu preconceito devido à sua profissão e à paixão que tinha. Mas, isso não fez com que ele desistisse. Pelo contrário, atualmente Nilton estuda Educação Física e dá aulas gratuitas de balé e alongamento para crianças e idosos. Atualmente, ele dá aulas voluntárias de dança e alongamento (Arquivo pessoal) Atualmente, ele concilia a vida de servidor público com a de voluntário, em aulas que ocorrem em variados dias da semana em espaços cedidos - ora por amigos, ora pela Prefeitura: “ Graças a Deus, eu tenho esse dom. É uma coisa que vem de dentro”, destaca. Seu sonho é ter cada vez oportunidades e estrutura para seguir seus projetos, e poder levar a dança para um maior número de pessoas. Ele leva consigo um ensinamento que aprendeu ainda quando criança, que dizia que não se pode deixar a magia do balé morrer. E é nisso que acredita. “Ninguém consegue entender quando eu falo da magia do balé ou do alongamento. Quando você está dando aulas, você não tem que ser o professor, mas sim o amigo, e, com isso, você ganha a aluna. Ter cosnciência do que você está passando para ela. Esse é o segredinho”, finaliza.