A iniciativa faz parte do projeto De Olho no Tempo São Vicente, apresentado ao prefeito Kayo Amado (Divulgação / Prefeitura de São Vicente) Uma escola municipal de São Vicente, no litoral de São Paulo, receberá uma miniestação meteorológica para monitorar as condições do tempo e ajudar na prevenção de riscos climáticos. A iniciativa faz parte do projeto De Olho no Tempo São Vicente, apresentado ao prefeito Kayo Amado (Pode) por representantes do CoopClima, da Universidade de São Paulo (USP). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Além da instalação do equipamento, o projeto prevê a participação de estudantes na coleta de dados sobre as chuvas por meio de pluviômetros artesanais, confeccionados com garrafas PET e instalados nas próprias residências. A proposta é criar uma rede colaborativa de monitoramento climático, envolvendo pesquisadores, professores, alunos, moradores e o poder público. A miniestação será instalada na Unidade Escolar Armindo Ramos, no bairro Samaritá, na Área Continental. O equipamento também será utilizado em atividades educativas, permitindo que os estudantes aprendam a observar e analisar as condições meteorológicas e compreendam melhor os impactos das mudanças climáticas. Pluvipets Já os chamados "pluvipets" permitirão ampliar a coleta de informações sobre o volume de chuva em diferentes pontos da cidade da Baixada Santista. Os registros serão analisados em conjunto com os dados das estações meteorológicas da Defesa Civil e da miniestação escolar, contribuindo para o planejamento de ações preventivas, especialmente em regiões mais vulneráveis a inundações. Segundo a coordenadora geral do projeto, professora doutora Sylmara Dias, a iniciativa pretende transformar o conhecimento científico em uma ferramenta de conscientização e proteção. “A proposta do De Olho no Tempo São Vicente é aproximar a ciência das escolas e das comunidades, unindo o conhecimento científico aos saberes da população. Queremos que estudantes, professores e familiares participem desse processo, aprendendo a observar as condições climáticas e a compartilhar informações que contribuam para a prevenção de riscos. A ideia é transformar o conhecimento em uma ferramenta de conscientização e proteção. Aprender sobre o tempo também é aprender a prevenir”, destaca. O prefeito Kayo Amado ressaltou a importância da parceria com a universidade para fortalecer o planejamento municipal diante dos desafios climáticos. “Temos uma realidade que exige atenção, por estarmos ao nível do mar, mas também temos uma rede de profissionais, professores e pesquisadores muito comprometidos em buscar soluções. A aproximação com a universidade nos permite unir conhecimento científico, planejamento e participação da comunidade para desenvolver estratégias que façam a diferença na vida das pessoas”, afirmou. A iniciativa envolve as secretarias municipais de Educação, Planejamento e Governança, a Defesa Civil, o CoopClima e a USP. O projeto também conta com um termo de cooperação com o Instituto Anísio Teixeira (IAT), ligado à formação continuada de professores da rede pública da Bahia, para estimular a troca de conhecimentos entre ciência e educação. Cidade enfrenta desafios climáticos O lançamento do projeto ocorre em um momento em que São Vicente também enfrenta os impactos do avanço do mar e da erosão costeira, problemas que motivaram uma ação judicial do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Em abril deste ano, a Justiça determinou, por meio de liminar em ação movida pelo Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), que o Município adotasse medidas emergenciais para conter a erosão nas praias do Gonzaguinha e dos Milionários. Entre as providências inicialmente determinadas estavam a elaboração de um plano emergencial para episódios de ressaca, intervenções nos trechos mais críticos da orla e medidas de proteção à população e ao patrimônio público. Em julho, a Prefeitura informou para A Tribuna que havia concluído o Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC), com protocolos de monitoramento e atuação durante ressacas, e que as obras de mitigação da erosão costeira estavam em fase de licitação. Na ocasião, a Administração Municipal também destacou o monitoramento da faixa costeira em parceria com instituições de ensino e pesquisa, como USP, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Universidade Santa Cecília (Unisanta). Embora o novo projeto esteja voltado principalmente ao monitoramento das chuvas e à educação ambiental, a iniciativa amplia a produção de informações climáticas no município, que poderão auxiliar a Defesa Civil e o poder público no planejamento de ações preventivas.