O que mais chamou a atenção de Luize foi o fato de que, ao acessar o site da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), a praia estava indicada como própria para o banho (Arquivo pessoal/Luize Kristini) Cerca de 148 peixes foram encontrados mortos na faixa de areia da Praia da Ilha Porchat, em São Vicente. De acordo com a mulher que fez a denúncia, seus filhos e parentes foram passear no local e, ao entrarem no mar, se depararam com diversos peixes já sem vida, sendo que um deles chegou a acertar o rosto de uma das crianças. As imagens foram registradas na tarde de quarta-feira (15). (Veja em vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A psicopedagoga Luize Kristine, de 35 anos, relatou à A Tribuna que, ao ver os peixes mortos, seus filhos começaram a recolhê-los e a enfileirá-los na areia. "No vídeo, foram registrados 148 peixes sem vida, mas as crianças continuaram recolhendo os peixes e o número passou de 200", disse. O que mais chamou a atenção de Luize foi o fato de que, ao acessar o site da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), a praia estava indicada como própria para o banho. "Escolhi essa região justamente por estar com a bandeira verde", contou. Em uma conversa com seu marido, que também estava presente, ambos começaram a duvidar da qualidade da água e perceberam que outras pessoas também notavam a situação. "Não tenho o hábito de frequentar aquela praia, fui lá apenas por conta da bandeira verde. Eu mesma não pretendo voltar, pois achei desconfortável e nojento estarmos na beira da água e os peixes mortos esbarrarem em nossos pés", afirmou. No vídeo obtido por A Tribuna, é possível ver que até mesmo a extensa quantidade de peixes estava escrita na areia e que mais de uma espécie também estava enfileirada. Segundo o biólogo Rafael Silva, de 36 anos, os peixes provavelmente foram descartados pelos pescadores em alto-mar. "O arrasto é feito de madrugada, e os peixes que não têm valor comercial são descartados no mar. A maioria desses animais morre", disse. Questionado sobre os perigos que as espécies podem causar ao ser humano, o especialista explicou que elas podem representar riscos às pessoas. "Como são animais mortos, o consumo não é adequado. O nível de conservação deles já está inadequado. Precisa-se ter muito cuidado, principalmente com os bagres; geralmente, os acidentes com esses animais acontecem por conta desse descarte irregular", explicou. -vídeo twitter (1.447844) Espécies O biólogo identificou as espécies que foram registradas na faixa de areia. Vale destacar que ele informou que a diversidade de peixes está interessante e que essa área onde eles estão, costuma-se chamar de 'zona de arrebentação'. Veja as espécies: Bagre Branco (Genidens barbu) Roncador (Haemulopsis corvinaeformis) Betara (Menticirrhus littoralis) Corvina (Micropogonias furnieri) Parati (Mugil brevirostris) Guaivira (Oligoplites saliens) Posicionamentos A Tribuna entrou em contato com a CETESB, que informou que os peixes mortos não tinham relação com a qualidade da água da praia, destacando que apenas coliformes fecais afetam a balneabilidade da região. A equipe de reportagem também entrou em contato com a Prefeitura de São Vicente, que, por meio de nota, informou que a Inspetoria Ambiental da Guarda Civil Municipal (GCM) não foi acionada para essa ocorrência. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (SABESP) explicou que não tem responsabilidade sobre esta ocorrência. A reportagem também tentou contato com a Polícia Militar Ambiental que não respondeu até a publicação desta matéria.