Coreografia emocionou plateia (Arquivo pessoal) “Seja forte e corajosa”. Esse foi um dos grandes ensinamentos que Mariana Perez, de 14 anos, recebeu de sua mãe Gicelia Perez, que morreu aos 46 anos, na última quinta-feira (30), após uma longa jornada de luta contra o câncer. Esse ensinamento fez com que a adolescente superasse a dor da perda e subisse ao palco, dois dias depois, para uma apresentação de dança emocionante. (Assista ao vídeo mais abaixo). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Marina, que é bailarina, estava prestes a competir no 10º Festival Internacional de Dança de Santos (Fidifest), quando, às vésperas de sua apresentação solo, recebeu a notícia de que sua mãe, sua maior fã e incentivadora, havia morrido. Por isso, decidiu, ao lado da família e professores, que desistiria da competição, mas que usaria o espaço para homenagear quem lhe havia dado a vida e partido de forma tão precoce. “Eu achei que eu não ia conseguir dançar, porque quando estava no camarim, me senti muito mal. Eu estava sem energia, mas orei bastante, pedindo forças a Deus, e fiz essa homenagem. A mais linda que eu podia fazer para a minha mãe”, lembra a adolescente. -Bailarina homenagem mãe (1.421910) Com a coregrafia “Ver somente o que os olhos não são capazes de enxergar", Mariana subiu ao palco com um banner da mãe e com a frase que costumava ouvir: forte e corajosa, emocionando a família que estava prestigiando a apresentação e também o público. A coreografia já tinha sido apresentada antes, em outros festivais, quando a adoplescente chegou a ganhar em sua categoria. Apesar de ter desejado que a mãe pudesse tê-la visto dançando presencialmente, ela conta que conseguiu, ao menos, que houvesse a oportunidade de ver um registro da dança. ”Minha mãe estava internada, mas eu mostrei o vídeo da competição a ela. Ela ficou feliz que eu havia ganhado o primeiro lugar”. Bailarina realizou desejo da mãe de manter apresentação (Arquivo pessoal) Por trás das coxias De acordo com Vanderlei Perez, 52 anos, Gicelia foi diagnosticada com câncer de estômago há cerca de dois anos. Ela chegou a ter uma melhora, mas a doença retornou com tudo no último ano. Debilitada, em maio deste ano, ela chegou a pesar cerca de 35 quilos. Gicelia precisou ser internada novamente e foi preparada para uma cirurgia, que infelizmente não foi bem sucedida. “Quando ela foi para o centro cirúrgico, o médico não conseguiu fazer nada, porque o câncer já tinha tomado conta de toda a parte torácica”, lembra. Em cuidados paliativos, Gicelia viveu uma última semana emocionante, quando foi batizada na religião evangélica e também contemplou um pôr do sol, seu desejo. “Ela nunca reclamou do que estava acontecendo. Ela só falava que nós tínhamos que ser felizes, lutar e ter esperança, porque dias melhores viriam. Ela sempre nos falava que bastava cada dia o seu mal”, acrescenta a filha mais velha, Izabela Perez, de 23 anos. Gicelia morreu na quinta-feira. Antes de partir, ela tinha expressado um desejo: que a filha mais nova continuasse a dançar. Por isso, Mariana não hesitou e com apoio da irmã, do pai e das professoras de dança, seguiu seu coração e se apresentou no sábado. “Todo mundo que estava lá se emocionou. Eu fiquei admirado. Não sabia que a minha filha tinha tanta força (...) tão jovem e passar por uma perda assim, mas a energia que ela teve, foi coisa de Deus. Ao mesmo tempo que o meu coração estava triste, ele saltou de alegria ao ver a minha filha no palco, fazendo o que ela mais gosta de fazer e pela pessoa que ela mais amava no mundo”, expõe Vanderlei. “Uma das coisas que ela mais falava para mim e para Mariana, desde pequenas, era que nós tínhamos que ser fortes e corajosas. E foi isso que ela nos ensinou em todo o processo que viveu”, conclui Izabela. Família participou de momento emocionante (Arquivo pessoal) Fidifest Em nota, o Fidifest informou que as professoras da adolescente entraram em contato com a equipe do festival no dia primeiro, informando que Mariana queria desistir da competição, mas fazendo o pedido de que ela pudesse se apresentar em homenagem à mãe, que havia falecido. “A nossa preocupação foi quanto ao estado emocional da bailarina, mas não podíamos negar um pedido desses. E foi o momento mais emocionante das nossas vidas. Ela encantou a todos e emocionou a plateia que veio abaixo com o presente que ela decidiu nos oferecer. Apresentou a coreografia intitulada ‘Ver somente o que os olhos não são capazes de enxergar’. Foi a dança mais linda, poética e emocionante de todos aqueles que tiveram o privilégio de assistir”.