O morador de São Vicente já percorreu quase 4 mil km e está em Córdoba, na Argentina (Arquivo pessoal/ Georgios Beinis) O morador de São Vicente, no litoral de São Paulo, que partiu para a Argentina de bicicleta com apenas R\$ 48 na conta já percorreu quase 4 mil quilômetros e está em Córdoba. O ajudante de pedreiro ainda tem pela frente mais de 3 mil quilômetros até cumprir o seu desejo e chegar em Ushuaia. "Estou em sentido a Mendoza, e aí começarei a descer para o Ushuaia. Tenho previsão de chegar entre novembro e dezembro", conta. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Georgios Aciro Sarmento Beinis tem 30 anos e decidiu encarar uma aventura sobre duas rodas, saindo do bairro Jardim Rio Branco com sua bicicleta, a “azulzinha”, para ir até Ushuaia. Recentemente, o aventureiro teve problemas no freio e nas marchas da bicicleta. O ajudante de pedreiro mantém links para rifas e doação via Pix em seu perfil no Instagram. "Algumas coisas já consegui arrumar, mas ainda tem mais para fazer nela", explica. Economizar Como Georgios deixou São Vicente com apenas R\$ 48 na conta, conta com a ajuda das pessoas para concretizar seu sonho. E tem que saber muito bem como usar o que recebe. "Foram gastos mais ou menos R\$ 380 para arrumar a relação das marchas de trás e a coroa", detalha. Depois de cerca de quatro meses de viagem, o ajudante de pedreiro se deu uma oportunidade de 'luxo': "Peguei um camping em Arroyito, porque precisava carregar os equipamentos e lavar a minha roupa, além de tomar um banho quente". O camping custa 7 mil pesos por dia, cerca de R\$ 25. O frio é outro desafio para Georgios: "Nossas roupas do Brasil não conseguem segurar a temperatura quando está tão frio. Pego temperatura negativa aqui. Chego a usar quatro calças, três blusas, várias meias e cachecol, porque ainda não tenho roupa térmica. Investi na barraca e no conserto da 'azulzinha', que foram necessidades", relata. Depois de cerca de quatro meses de viagem, ajudante de pedreiro de São Vicente parou no primeiro camping (Arquivo pessoal/ Georgios Beinis) Quem é ele Georgios nasceu na Grécia, é filho de pai grego e mãe brasileira. Segundo ele, os pais se conheceram no país europeu, mas o pai acabou falecendo quando ele tinha 3 anos. Depois disso, a família retornou ao Brasil. Atualmente, o ajudante de pedreiro não mantém mais contato com a mãe. Sua única relação familiar próxima é com o irmão, que também vive no bairro Rio Branco, em São Vicente. Antes de iniciar a sua viagem, Georgios trabalhava em uma empresa como ajudante de pedreiro. Giorgios: "Nossas roupas do Brasil não conseguem segurar a temperatura quando está tão frio" (Arquivo pessoal/ Georgios Beinis) Experiências O aventureiro diz que muitas pessoas em seu percurso estranham um pouco sua coragem, mas, depois de uma conversa, sempre o tratam muito bem. "Uma coisa que fica evidente é como a rotina muda a nossa percepção. Antes, um banho quente ou uma tomada para carregar os equipamentos eram detalhes. Hoje, são motivos de comemoração", conta. "Também é marcante perceber como a paisagem muda. As estradas da região têm trechos longos, muito vento contra e cidades pequenas. Mas cada uma delas tem seu próprio charme e pessoas dispostas a ajudar. Isso reforça lição que a viagem parece ensinar todos os dias: a felicidade está nas pequenas conquistas, não apenas no destino final", completa.