O ajudente de pedreiro Georgios Aciro, de São Vicente, segue viagem pela Argentina e registra a passagem por localidades da província de Entre Ríos, onde faz o trajeto antes de iniciar a descida para Ushuaia (Arquivo pessoal) A viagem de bicicleta do ajudante de pedreiro de São Vicente entre o litoral de São Paulo e Ushuaia, no extremo sul da Argentina, pode ser interrompida antes da chegada ao destino. Isso porque Georgios Aciro Sarmento Beinis precisa regularizar sua permanência no país nos próximos dias para conseguir continuar a aventura pela Patagônia. -Vídeo YouTube ajudante de pedreiro (1.531188) Quer saber todas as curiosidades da nossa região? Siga o nosso canal do YouTube! Atualmente em San Martín de los Andes, a cerca de 180 quilômetros de Bariloche, Georgios afirma que o prazo autorizado para permanecer em território argentino está próximo do fim. Sem dinheiro, com pouca comida e enfrentando novos problemas mecânicos na bicicleta, ele agora tenta descobrir como fazer a prorrogação da autorização e quanto precisará desembolsar para isso. Pelas regras migratórias argentinas, brasileiros podem permanecer no país como turistas sem visto por até 90 dias. A permanência pode ser prorrogada por outro período semelhante, mediante solicitação à Direção Nacional de Migrações e pagamento da taxa correspondente. O pedido deve ser feito enquanto a autorização ainda estiver válida. Caso o ajudante de pedreiro não consiga resolver a situação, a continuidade da viagem rumo a Ushuaia fica ameaçada. O problema migratório é mais um obstáculo em uma jornada que já entrou em uma de suas fases mais difíceis. Georgios relata estar praticamente sem recursos, enquanto a bicicleta voltou a apresentar defeito e os mantimentos estão terminando. “Estou numa situação muito ruim, já sem verba para nada. A bike quebrou a marcha de trás, o gás está no final e o apoio ultimamente anda meio fraco. Está complicado mesmo”, conta para A Tribuna. Pouca comida e bicicleta quebrada Georgios afirma que está consumindo os alimentos comprados anteriormente, mas que o estoque está perto do fim. “Estou me virando com o que já tinha comprado, mas já está no final". Segundo o ciclista, há quase um mês ele não recebe novas contribuições de seguidores. Durante boa parte da viagem, o ajudante de pedreiro contou com doações e outras formas de apoio para bancar alimentação, manutenção da bicicleta e despesas pelo caminho. Mesmo diante das dificuldades, Georgios continua dormindo em barraca. Em San Martín de los Andes, diz ter encontrado poucas alternativas gratuitas de hospedagem e decidiu montar acampamento em uma região de montanha. Nos últimos dias, a chuva constante também dificultou a rotina e o viajante chegou a molhar parte dos equipamentos utilizados para dormir. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Frio, vento e quilômetros de subida Antes de chegar a San Martín de los Andes, Georgios percorreu um dos trechos mais exigentes da aventura. Ele deixou Zapala pela tradicional Ruta 40 e seguiu em direção a Junín de los Andes. No caminho, enfrentou frio, vento forte e longas subidas. Segundo o ajudante de pedreiro, houve um trecho de mais de 30 quilômetros pedalando contra o vento e aproximadamente 39 quilômetros de subida. Em alguns pontos, a única alternativa foi descer da bicicleta e empurrar a “Azulzinha”, como chama a companheira de viagem. Apesar do desgaste, o percurso também proporcionou uma das paisagens mais aguardadas desde o início da aventura: o Lago Lácar, considerado a porta de entrada para a famosa região dos Sete Lagos. “Todo esse esforço valeu a pena. Cheguei a San Martín de los Andes e conheci o incrível Lago Lácar”, conta. O esforço, porém, começou a cobrar o preço. Georgios também relata dores no joelho, agravadas pelo frio e pela sequência de dias sobre a bicicleta. Por isso, precisou fazer pausas para descansar e se recuperar. Bariloche é o próximo objetivo O próximo destino planejado é Bariloche. Antes de seguir viagem, porém, Georgios precisa consertar a bicicleta, conseguir recursos para alimentação e resolver sua situação migratória. Depois disso, pretende continuar pela Ruta 40 rumo ao sul da Argentina até chegar a Ushuaia. Mesmo diante da possibilidade de ter a viagem interrompida, Georgios afirma que ainda não pensa em desistir. “Fazem parte da viagem as dificuldades”, resume. O objetivo permanece o mesmo: cruzar a Patagônia de bicicleta e alcançar Ushuaia, uma das cidades mais austrais do planeta.