Georgios segue firme na viagem, apesar dos perrengues pelo caminho (Arquivo Pessoal) O sonho que começou em São Vicente, no litoral de São Paulo, com apenas R\$ 48 e uma bicicleta está cada vez mais perto de se tornar realidade. Após meses pedalando rumo a Ushuaia, na Argentina, o ajudante de pedreiro Georgios Aciro Sarmento Beinis está cada vez mais perto de chegar ao destino, mas ainda enfrenta alguns 'perrengues' pelo caminho. Desta vez com o zíper da barraca e novamente com a valente bicicleta “Azulzinha”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O aventureiro de 30 anos, que agora está em Balde, cidade localizada no caminho para Mendoza, relata que está precisando usar uma lona para se proteger do frio intenso, já que o zíper da barraca quebrou. Ele enfrentou as famosas Altas Cumbres, na Argentina, a 2.850 metros de altitude, e conta que precisou empurrar a bicicleta por cerca de 100 quilômetros durante o percurso. "Fiquei acima das nuvens. Para concluir esse trajeto na segunda-feira (10), tive que fazer 140 km de pedal, umas 10 horas, das 9 às 19 da noite, pra chegar na capital de San Luis". A pretensão de Aciro é chegar ao destino final, Ushuaia, entre o final de outubro e o começo de novembro. “Até Mendoza faltam 200 km e, até Ushuaia, uns 3.700 km, 3.600 km, por aí.” Problemas com a "Azulzinha" Já no caminho para Mendonza, Georgios precisou retornar a San Luis para resolver problemas na bicicleta, que estava com alguns parafusos soltos. O aventureiro fez um improviso momentâneo para conseguir seguir viagem e pretende passar em uma bicicletaria antes de retomar o percurso nesta sexta-feira (14). "Eu estava na pista, meu pneu furou, andei mais ou menos 20 km da cidade de San Luis capital, parei, remendei o pneu e descobri que os 4 parafusos nas rodas estavam soltos. Tive que voltar esses 20 km pra cidade para resolver, porque estava andando com os dois pneus soltos". Georgios conta que parou em uma bicicletaria no centro da cidade e, por coincidência, descobriu que o dono do estabelecimento o acompanhava pelo Instagram. O comerciante acabou presenteando o viajante com os quatro parafusos que ele precisava. No percurso, porém, Georgios precisou fazer mais uma parada para resolver um problema no freio dianteiro e na marcha da bicicleta. "Nesse meio tempo apareceu uma seguidora me abençoando também com um pneu novo para a frente da bike", diz. Frio intenso Outro desafio enfrentado por Georgios é o frio intenso. Segundo ele, as roupas que levou do Brasil não são suficientes para protegê-lo das baixas temperaturas. Como já noticiado por A Tribuna, o ajudante de pedreiro relatou que chegou a encarar temperaturas negativas durante a viagem. "Chego a usar quatro calças, três blusas, várias meias e cachecol, porque ainda não tenho roupa térmica. Investi na barraca e no conserto da 'azulzinha', que foram necessidades", relata. Agora, ele conseguiu comprar calça, blusa e luvas térmicas para reforçar a proteção contra o frio durante a viagem. Quem é Georgios? O ex-ajudante de pedreiro nasceu na Grécia, é filho de pai grego e mãe brasileira. Segundo ele, os pais se conheceram no país europeu, mas o pai acabou falecendo quando ele tinha 3 anos. Depois disso, a família retornou ao Brasil. Atualmente, o ajudante de pedreiro não mantém mais contato com a mãe. Sua única relação familiar próxima é com o irmão, que também vive no Bairro Rio Branco, em São Vicente. Antes de iniciar a sua viagem, Georgios trabalhava em uma empresa como ajudante de pedreiro. Experiências O aventureiro diz que muitas pessoas em seu percurso estranham um pouco sua coragem, mas, depois de uma conversa, sempre o tratam muito bem. "Uma coisa que fica evidente é como a rotina muda a nossa percepção. Antes, um banho quente ou uma tomada para carregar os equipamentos eram detalhes. Hoje, são motivos de comemoração", conta. "Também é marcante perceber como a paisagem muda. As estradas da região têm trechos longos, muito vento contra e cidades pequenas. Mas cada uma delas tem seu próprio charme e pessoas dispostas a ajudar. Isso reforça lição que a viagem parece ensinar todos os dias: a felicidade está nas pequenas conquistas, não apenas no destino", completa.