O aventureiro, de 30 anos, conta que o problema aconteceu no sábado (29), quando a roda dianteira da bicicleta apresentou defeito (Arquivo Pessoal) Pouco depois de ter a conta bancária bloqueada, o ajudante de pedreiro Georgios Aciro Sarmento Beinis que saiu de São Vicente, no litoral de São Paulo, com R\$ 48 e uma bicicleta, enfrenta mais um perrengue na viagem que tem como destino o Ushuaia, na Argentina. O jovem agora teve problemas com o rolamento do eixo, o que o impediu de continuar pedalando. Sem muitas alternativas, precisou empurrar a bike por cerca de 20 quilômetros. Mesmo assim, ele não desanima. O aventureiro, de 30 anos, conta que o problema aconteceu no sábado (29), quando a roda dianteira da bicicleta apresentou o defeito. Naquele mesmo dia, ele precisou empurrar a “Azulzinha” até conseguir uma carona para chegar à cidade de Pareditas. No local, recebeu a ajuda de um caminhoneiro, que o levou até uma região próxima de San Rafael. "Agora estou empurrando a bicicleta por mais ou menos uns 20 km, porque não tem mais como pedalar, infelizmente. Ela precisa parar na bicicletaria de qualquer jeito. Vai sair quase R\$ 600 para arrumá-la, então ficou meio pesado, né? Eu não tenho esse valor por enquanto", relata. Conta bancária bloqueada Além disso, Georgios continua sem conseguir acessar sua conta bancária, que foi bloqueada por volta do dia 15 de agosto. Era por meio dela que ele recebia as ajudas enviadas via Pix e o dinheiro arrecadado com rifas promovidas com o apoio dos seguidores. O ex-ajudante de pedreiro conta que recebeu uma mensagem no aplicativo do banco informando sobre o bloqueio, mas sem qualquer explicação sobre o motivo. Segundo ele, nessa conta tinha valor suficiente para custear cerca de dois meses de viagem. "Estou usando outra conta para receber as ajudas e o dinheiro da rifa. Consegui falar com eles na sexta-feira, e ficaram de me dar um retorno em até cinco dias úteis para avisar se conseguiriam desbloquear a conta ou se ela permaneceria bloqueada. Mas, não tive retorno". 30 dias para o destino Mesmo com o novo perrengue com a bicicleta, Georgios Aciro acredita que conseguirá chegar a Ushuaia, na Argentina até 10 de outubro. Segundo o aventureiro, ele já conseguiu uma doação para ajudar no conserto da “Azulzinha” e espera retomar a viagem até quarta-feira. "Eu estou a 2.880 km [de altitude] . Pelas minhas contas, vou chegar mais ou menos entre 30 e 35 dias, porque eu coloco na conta o tempo ruim, a chuva. Estou fazendo uma média de 90 a 100 km por dia". Quem é Georgios? O ex-ajudante de pedreiro nasceu na Grécia, é filho de pai grego e mãe brasileira. Segundo ele, os pais se conheceram no país europeu, mas o pai acabou falecendo quando ele tinha 3 anos. Depois disso, a família retornou ao Brasil. Atualmente, o ajudante de pedreiro não mantém mais contato com a mãe. Sua única relação familiar próxima é com o irmão, que também vive no Bairro Rio Branco, em São Vicente. Antes de iniciar a sua viagem, Georgios trabalhava em uma empresa como ajudante de pedreiro. Experiências O aventureiro diz que muitas pessoas em seu percurso estranham um pouco sua coragem, mas, depois de uma conversa, sempre o tratam muito bem. "Uma coisa que fica evidente é como a rotina muda a nossa percepção. Antes, um banho quente ou uma tomada para carregar os equipamentos eram detalhes. Hoje, são motivos de comemoração", conta. "Também é marcante perceber como a paisagem muda. As estradas da região têm trechos longos, muito vento contra e cidades pequenas. Mas cada uma delas tem seu próprio charme e pessoas dispostas a ajudar. Isso reforça lição que a viagem parece ensinar todos os dias: a felicidade está nas pequenas conquistas, não apenas no destino", completa.